Chapecó, SC - Na véspera de ter a candidatura à reeleição anunciada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou ontem, em Chapecó (SC), como candidato, confirmou a continuação do vice-presidente José Alencar na chapa, afirmou que a arma da campanha será a ''tranquilidade'', para deixar nervosos os adversários, beijou crianças, posou para foto com eleitores, fez promessas.
Lula participou da entrega simbólica de uma casa financiada pelo Programa de Habitação da Agricultura Familiar ao casal de agricultores Sílvio e Teresina Sacheti, na comunidade de Linha Caravaggio. Sobre o lugar de vice-presidente na chapa, ele disse que nunca teve a preocupação de mudá-lo. ''Eu já tenho vice. Ele (Alencar) é meu vice há três anos e meio; por que eu iria mudar?'', disse.
Na verdade, Lula considerou diversas outras alternativas. Entre elas, a oferta do cargo ao PMDB em troca do apoio formal. A última tentativa foi um nome do PSB, também em caso de aliança, que não deve se concretizar.
Apenas na noite de quinta-feira, o presidente formalizou o convite ao vice-presidente, mas ontem negou que tenha precisado conversar com ele. ''O José Alencar é o tipo de pessoa que eu não preciso convencer e nem preciso conversar porque ele já é o vice. Vamos deixar do jeito que está. Sabe por quê? Porque eu aprendi com o futebol que em time que está ganhando não se mexe.''
Mesmo tendo afirmado que não abordara sobre campanha até a convenção do PT, que acontece hoje, Lula não disfarçou mais e deu o tom: vai ignorar os ataques mais pesados da oposição e continuar a viajar para ligar a imagem a obras e realizações apesar das reclamações de oposicionistas sobre uso da máquina pública e ameaças de tentar enquadrá-lo na Lei Eleitoral. ''Eu vou continuar viajando. A lei me proíbe de viajar para inaugurar obras. Mas eu não preciso viajar para inaugurar obras. Posso viajar para fiscalizar obras'', justificou. ''Então, eu vou continuar viajando o Brasil. Não vou ficar em Brasília o tempo todo, não.''
Mais uma vez, Lula voltou a cutucar a oposição, dessa vez, no discurso de abertura do 2º Encontro Nacional da Habitação na Agricultura Familiar, também na cidade. Para uma platéia de cerca de 10 mil pequenos agricultores da Região Sul, o presidente disse que ''tem muita gente nervosa na praça'' que manterá a tranquilidade.
''Tem muita gente falando muita coisa, tem muita gente me xingando, tem muita gente fazendo muito desaforo'', declarou Lula, que voltou a citar o jogador Ronaldinho Gaúcho. O presidente acentuou que Ronaldinho Gaúcho leva ''botinadas duras'', mas que não fica bravo. ''Então, agora eu vou fazer política como o Ronaldinho joga bola, eu vou deixar as pessoas que não gostam da gente muito nervosas e, quanto mais nervosas elas estiverem, mais significa que nós temos de estar calmos porque nós temos mais responsabilidades do que elas, nós temos mais compromissos do que elas'', garantiu. ''Tranquilidade é a nossa arma, tranquilidade é a resposta que nós temos de dar a quem está nervoso.''
Lula confirmou ontem que o governo manterá a edição das medidas provisórias (MPs) com os reajustes dos funcionários públicos, apesar da interpretação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de que são ilegais em ano eleitoral. Segundo Lula, se houver dificuldade, a decisão terá de ser tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). ''Eu acho que nós vamos fazer medidas provisórias. O ministro Paulo Bernardo (do Planejamento, Orçamento e Gestão) está trabalhando nisso'', disse.

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