Lula e Alckmin tentam conquistar apoio de governadores eleitos
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terça-feira, 03 de outubro de 2006
Andreza Matais e Gabriela Guerreiro<br>Folhapress 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, e o rival Geraldo Alckmin, candidato do PSDB à Presidência da República, dão início hoje à corrida pela conquista de votos dados aos outros candidatos alijados da disputa do primeiro turno, como Heloísa Helena (PSOL) e Cristovam Buarque (PDT). Lula se reúne hoje com os governadores eleitos de partidos aliados para pedir que reforcem a sua campanha no segundo turno. Alckmin, por sua vez, decidiu concentrar forças nos estados onde recebeu pouca votação.
O tucano recebeu ontem apoio do ex-secretário de Governo e Coordenação do Estado do Rio Anthony Garotinho, presidente estadual do PMDB, e da mulher dele, a governadora Rosinha Garotinho (PMDB), para o segundo turno. O senador Jefferson Peres (PDT-AM) disse que vai defender na reunião nacional do PDT que o partido dê apoio a Alckmin. O PSOL anunciou que se manterá neutro no segundo turno.
Lula deve contar com o apoio dos governadores eleitos da Bahia, Sergipe, Ceará, Piauí, Amazonas, Tocantins, Acre e Amapá. Alckmin deve ter o apoio de outros sete governadores eleitos. Os governadores do Espírito Santo e de Mato Grosso devem ficar neutros na disputa presidencial.
O presidente conversou ontem com Jaques Wagner (PT), eleito governador da Bahia, e que deve integrar o comando nacional da campanha. O petista negou que irá assumir o lugar de Marco Aurélio Garcia, que teria colocado o cargo de coordenador nacional da campanha de Lula à disposição, abrindo caminho para que Lula indicasse alguém com mais trânsito no meio político. Lula não aceitou a saída de Garcia, mas decidiu ampliar o comando da campanha, incorporando também campeões de votos como Ciro Gomes, eleito deputado federal pelo Ceará com mais de 600 mil votos.
O presidente quer aproveitar a presença de Wagner na campanha para estimular os militantes. O ex-ministro foi eleito no primeiro turno, derrotando o PFL baiano que sempre comandou o Estado, contrariando as pesquisas que indicavam vitória do governador Paulo Souto. Na avaliação de Wagner, Lula deve herdar os votos dos candidatos Heloísa Helena (PSOL) e Cristovam Buarque (PDT). ''Os eleitores dos dois têm mais proximidade com o projeto de Lula do que com o de Geraldo Alckmin'', afirmou.
O comando da campanha de Geraldo Alckmin dará prioridade aos estados onde o tucano não conseguiu obter votação expressiva e ainda encontra resistências do eleitorado, como Amazonas e Maranhão. Os tucanos temem não conseguir o apoio da candidata do PFL ao governo do Maranhão, Roseana Sarney, que no primeiro turno não escondeu a preferência por Lula.
Segundo o senador José Jorge (PFL-PE), que concorre ao cargo de vice-presidente na chapa de Alckmin, Roseana será procurada para se manter neutra na disputa presidencial. Ela concorre no segundo turno com o candidato Jackson Lago (PDT). A estratégia dos tucanos e pefelistas será mobilizar ainda os candidatos já eleitos no primeiro turno para reforçar a campanha de Alckmin.
Além do Amazonas e do Maranhão, eles pretendem intensificar a campanha na Bahia, Ceará e Pernambuco - grandes Estados do Nordeste onde o tucano precisa melhorar o desempenho para reverter a vantagem de Lula. A campanha quer consolidar a votação no candidato em localidades que serão alvo de Lula, onde Alckmin teve votação expressiva - especialmente o Sul e Sudeste do país.
Dois estados que estão na mira dos tucanos são o Rio de Janeiro, onde o candidato do PMDB Sérgio Cabral vai formalizar o apoio a Lula, e Minas Gerais, onde a campanha de Alckmin quer aproveitar a liderança do governador Aécio Neves (PSDB), reeleito com mais de 70% dos votos já no primeiro turno. A coligação de Alckmin avalia que, no Rio e em Minas, o candidato tem fortes chances de melhorar o desempenho.


