São Paulo - O debate inaugural do segundo turno das eleições, marcado para hoje na Rede Bandeirantes, promete temperatura elevada e discussão incisiva sobre ética, com acusações duras entre os dois adversários. Quem ouve o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o tucano Geraldo Alckmin (PSDB) e suas respectivas equipes falando sobre o encontro relembra os preparativos para uma luta de boxe. ''Alguém que tem atrás de si uma esteira de podridão deve ter muita moderação e cautela ao atirar no seu oponente'', avisa o vice-presidente José Alencar.
''Vamos levar uma pasta com documentos, inclusive fotos, e esperamos não precisar usar. Mas se o presidente quiser debater ética, estaremos à vontade'', ameaça o coordenador do programa de governo tucano, João Carlos Meirelles.
Na verdade, esse é o confronto direto que Alckmin tanto desejou no primeiro turno, mas seu adversário evitou. Para Lula, será uma chance de testar sua atual estratégia de tentar desconstruir o discurso dos tucanos baseado na defesa da ética.
O petista pretende comparar seu governo com o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, inclusive explorando as denúncias de corrupção contra o antecessor. ''Se querem discutir ética, vamos discutir'', disse Lula, em comício em Petrolina, na última sexta-feira. ''Nem PFL nem PSDB têm moral para dar lição de ética.''
Dois dias depois de combinar com o PT a ''expulsão política'' de quatro filiados envolvidos no escândalo do dossiê Vedoin e acertar o afastamento de Ricardo Berzoini da presidência, Lula irá para o confronto disposto a não deixar pergunta sem resposta. Provocado, o presidente dirá que, enquanto governo e PT ''cortam na carne'', os rivais jogam sujeira debaixo do tapete.
A munição que o candidato à reeleição carregará passa por dois palácios: o do Planalto, em Brasília, e o dos Bandeirantes, em São Paulo. Com um arsenal de números, o presidente promete exibir ''contradições'' entre o discurso e a prática do PSDB na Presidência, com FHC (1995 a 2002), e no governo paulista, com o próprio Alckmin (2003 até março passado). As CPIs engavetadas pelos tucanos e a falta de segurança em São Paulo compõem o estoque de informações negativas que os petistas juntaram.
''A orientação para o segundo turno é discutir o futuro do País. Mas comparar é viver'', disse o ministro-chefe das Relações Institucionais, Tarso Genro. Para tanto, o comitê da reeleição produziu uma extensa lista com 45 comparações entre o governo Lula e a gestão FHC.
O arsenal que Alckmin preparou no seu córner, como se diria em uma luta, é eclético. O tucano diz estar à espera de Lula para se confrontar nos campos em que o presidente quiser. Da comparação com o governo FHC à questão ética, passando pelo que Alckmin considera o tema central da campanha: as propostas para o desenvolvimento do País. A equipe de Alckmin afirma que o tucano manterá ''a classe''.
Na pasta de documentos que levará consigo, Alckmin terá em mãos cópia das fotos do R$ 1,75 milhão apreendidos com petistas e destinados a pagar à família Vedoin para que relacionasse candidatos tucanos à máfia dos sanguessugas, que vendia ambulâncias superfaturas a prefeituras, usando verbas do orçamento federal.

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