Lula diz que viajará até junho
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sábado, 21 de janeiro de 2006
Luciana Brafman e Raphael Gomide<br> Folhapress 
Rio Em clima de campanha e inaugurações na Baixada Fluminense, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que só decidirá se será candidato em junho, porque até lá vai governar e viajar pelo país sem restrições legais. ''Por que eu teria que deixar de governar para entrar em campanha? Eu vou governar o país. Tenho meio ano ainda para andar o país sem a proibição da lei'', disse Lula em Xerém, distrito de Duque de Caxias.
Com a afirmação de que vai viajar muito pelo país nos próximos seis meses, o presidente respondeu aos críticos de sua intensa agenda de inaugurações e comparecimento a eventos nos mais diversos Estados. Ele disse que não aceita pressões para que deixe de agir dessa forma.
''As pessoas que estão incomodadas com as minhas viagens, tenham paciência, porque eu vou viajar muito mais'', afirmou a jornalistas após visita ao Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial). Lá ele conheceu dois laboratórios e recebeu uma medalha comemorativa.
Lula discursou para cerca de 300 pessoas, a maioria funcionários do Inmetro, e anunciou a criação de um plano de cargos e salários. De lá, partiu para o Acre, onde estava prevista a inauguração de uma ponte que liga o Brasil ao Peru, e do programa Luz Para Todos num assentamento. ''Por que eu não iria inaugurar? Primeiro porque eu não sou candidato. Não estou candidato. Só tenho que decidir no momento certo. Só tem convenção no mês de junho'', ao explicar a viagem ao Acre.
Lula disse também que os adversários, já em campanha, gostariam que ficasse trancado dentro do gabinete e que não colhesse os frutos plantados pelo governo. ''Nós plantamos um pomar e agora estamos colhendo os frutos.''
Pouco antes, em Queimados, também na Baixada, em clima ainda maior de campanha para reeleição, Lula participou de evento para 10 mil pessoas e liberou R$ 41,5 milhões para um hospital abandonado havia 14 anos, que está no esqueleto e só vai ficar pronto daqui a pelo menos dois anos e três meses. A estimativa é da Prefeitura de Queimados, parceira no convênio.
O prédio do futuro hospital está em condições precárias, sem as paredes, e cheio de pixações. Um grande painel de cerca de 20 m x 30 m cobria uma lateral do edifício, a que ficava atrás do palco onde Lula estava, obstruindo a visão da precariedade da construção. ''Um sonho virando realidade. Hospital Geral de Queimados atendendo a toda a Baixada'', dizia o painel.
Apesar de ter afirmado que a obra poderia demorar um pouco, por causa de licitação, Lula prometeu ir à inauguração. Se não concorrer à reeleição assunto que tem evitado nem for reeleito, porém, o presidente já não estará no cargo em 2008.
Além do dinheiro para o hospital, cuja obra se iniciou em 1991 foi interrompida e embargada diversas vezes , o governo federal liberou ontem mais R$ 16 milhões para a reforma e ampliação de 17 unidades de atendimento pré-hospitalar em 11 municípios da Baixada Fluminense.


