Curitiba - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve ontem em Curitiba em um comício da coligação ‘‘A União faz um novo Amanh㒒 (PT, PMDB, PDT) que reuniu, segundo os organizadores, vinte mil pessoas, na Boca Maldita, centro da cidade. Durante discurso de mais de meia hora, Lula lembrou projetos de seu governo, pediu votos para Dilma Rousseff e Osmar Dias, mas também prometeu lutar, como cidadão, pela aprovação da reforma política. ‘‘Não era a minha obrigação (como presidente) trabalhar a reforma política. Não era. Mas agora como cidadão brasileiro vamos fazer a reforma política nesse país. Para que possamos acabar com essa história de uma pessoa se eleger e amanhã estar em outro. Com essa história
de partido político que só existe na hora da eleição’’, defendeu.
  Lula pediu para que o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, impeça que uma mulher condenada por adultério naquele país seja apedrejada até a morte. Foi a primeira vez que o presidente brasileiro se manifestou em público sobre o caso. ‘‘Estou fazendo um apelo público para que não se faça isso’’, disse. Também falou do acordo que o Brasil assinou com o Irã para enriquecimento de urânio e que foi ignorado pelos Estados Unidos.
  O comício começou por volta das 11 horas, com o discurso do governador Orlando Pessuti (PMDB). Um forte esquema de segurança controlou o acesso dos populares à área central reservada ao público, o que fez com que muita gente se aglomerasse nas ruas no entorno.
  Pessuti pediu voto para toda a chapa da coligação PMDB, PT e PDT, mas não falou no nome de seu antecessor e agora desafeto, Roberto Requião. Também discursaram o ex-governador e candidato ao Senado, Roberto Requião (PMDB), a candidata ao Senado Gleisi Hoffmann (PT), o candidato a vice-governa-
dor, Rodrigo
Rocha Loures
(PMDB), o candidato ao governo, Osmar Dias (PDT), o candidato a vice-presidente Michel Temer
(PMDB), além de Lula e Dilma.
  Penúltima a discursar, a candidata à presidência, Dilma Rousseff (PT), criticou duramente seu adversário, o candidato tucano José Serra. A ex-ministra afirmou que é necessário ‘‘repudiar aqueles que diante da ameaça de perderam seus privilégios ameaçam com o medo’’. ‘‘Tentam transformar o medo numa forma rebaixada, desqualificada de fazer política. Tentam esconder a ausência de projeto pelo medo. Foi assim que fizeram com o presidente Lula em 2002. Chegaram a dizer que o Brasil iria parar. Naquela época a esperança venceu o medo. Hoje também aqui a esperança venceu o medo na Boca Maldita. Hoje vamos vencer o medo com o Bolsa Família’’, declarou.
  Dilma também cutucou o vice de Serra, o deputado federal Índio da Costa (DEM-RJ). ‘‘Vamos continuar (os projetos do governo Lula) porque eu tenho um vice capaz e competente. E não uma pessoa inexperiente e incapaz’’, defendeu. E arrematou: ‘‘Quero dizer para vocês: há uma diferença enorme entre falar e fazer. Eles, quando puderam mais, fizeram menos’’.
  Durante o discurso, Dilma afirmou que é hora do País ser governado por uma mulher, depois de ter sido ‘‘governado por um trabalhador’’. ‘‘Nós mulheres sabemos que o Brasil está preparado para ser governado por uma mulher. E eu vou ser a primeira mulher a governar esse país. Mas não é só o Brasil que está preparado. São as mulheres desse país que estão preparadas para governar o Brasil’’, defendeu. O discurso de Lula foi na mesma linha: ‘‘Sou casado a tantos anos com uma mulher que é capaz de governar o presidente da República, por que é que uma mulher não pode governar o Brasil?’’.
  A candidata também chamou o candidato a vice na chapa de Osmar, Rodrigo Rocha Loures, de ‘‘José Alercarzinho’’, numa referência a relação do deputado com o setor produtivo paranaense. Loures é filho do presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).
  Já o candidato ao governo Osmar Dias (PDT) lembrou da demora para a concretização da aliança PMDB, PT e PDT no Estado. ‘‘Demorou para fazer essa aliança. Demorou um ano e meio para aprender a falar. Aprendi e não quero mais
esquecer. Lula, presta
atenção: companheiros e companheiras’’, brincou o senador. Osmar fez Lula chorar ao lembrar do Prouni, programa que concede bolsas para a universidade para pessoas carentes. E voltou a falar contra a privatização de empresas públicas. ‘‘Aqui nessa aliança é proibido pensar em vender empresa pública’’, afirmou. Para Osmar, o comício de ontem marca a virada da coligação ‘‘A União faz um
Novo Amanh㒒, que está atrás de Beto Richa
(PSDB) nas pesquisas.
  Em entrevista coletiva após o comício, Dilma Rouseff elogiou a conduta de Lula em pedir clemência ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, para que impeça o apedrejamento da mulher condenada por adultério. ‘‘Esse pedido é muito importante para as mulheres’’.
  A candidata do PT afirmou ainda estar feliz com o resultado das pesquisas, mas que a consulta popular reflete apenas um retrato do momento e que ainda há um longo caminho até o dia 3 de outubro. ‘‘Não se pode usar salto alto. Vou usar a sandália da humildade.’’

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