Lula diz que seu governo operou 'milagre' na política econômica
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segunda-feira, 31 de março de 2003
Agência Folha 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que seu governo operou um ''milagre'' na política econômica ao conseguir criar um ambiente que tem possibilitado trajetórias descendentes do dólar e do risco-país, mesmo com a atual turbulência internacional.
O auto-elogio veio em um discurso ao Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, no Palácio do Planalto, ontem à tarde. ''A situação econômica mundial não é das mais promissoras, pelo menos nesse momento que estamos vivendo. Mas nós conseguimos um certo milagre diante dos descrentes'', afirmou Lula.
Dizendo-se ''mais otimista do que nunca'', Lula procurou propagandear aspectos positivos na economia, em um momento em que crescem críticas de imobilismo na área social. Citou também a retomada de linhas de crédito internacionais às exportações como resultado da ''seriedade'' de seu governo.
O presidente declarou que conseguiu evitar a repetição da crise econômica argentina, ao contrário do que foi sugerido por seu ex-adversário José Serra (PSDB) na campanha.
''Havia quem dissesse que o Brasil poderia virar uma Argentina nos primeiros meses de governo. E nós estamos remando num rumo muito mais promissor do que muita gente acreditava.''
Ele disse ainda que não tem pressa em assistir à melhora dos indicadores econômicos do país, exemplificando com o dólar. ''O dólar cai devargazinho, mas é bom, porque quanto mais devagar cair, mais sólida é a queda.''
Falando de improviso, Lula adotou tom bastante diferente do que é normalmente usado por alguns auxiliares ao tratar de algumas das ações de seu governo.
Disse, por exemplo, que foi necessário que Antonio Palocci Filho (Fazenda) promovesse um ''corte'' de R$ 14 bilhões no Orçamento para equilibrar as contas, deixando de lado o eufemismo ''contingenciamento de despesas'' preferido no governo.
Declarou ainda que o Planalto atuou para eleger os presidentes da Câmara e do Senado, seus aliados, o que nunca havia sido reconhecido oficialmente.


