Lula diz que reforma é ''superficial''
Jô Pasquatto
Agência Estado
De São Paulo
O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, disse ontem que a reforma ministerial foi superficial e fictícia. Fernando Henrique Cardoso mentiu para a sociedade brasileira, quando prometeu mudanças no ministério; foi mais na perspectiva de fazer um discurso para enganar a sociedade; usou a primeira pessoa o tempo todo, num processo de dizer ao povo: olha, não é o senador Antonio Carlos Magalhães quem manda aqui, sou eu; ou seja, é um presidente que está pecando pela mediocridade, criticou.
Lula voltou a criticar o modelo econômico defendido pelo governo federal e os incentivos fiscais federais concedidos à Ford. E também reafirmou defesa de mudança no atual modelo econômico, com a retomada de projetos voltados para o desenvolvimento industrial, agrícola, turismo e apoio à pequena e média empresas. Se continuarmos subordinando os interesses econômicos do Brasil e aos interesses da agiotagem internacional e do FMI, a tendência natural é não retomar o crescimento nem gerar empregos; portanto, não haverá distribuição de renda nem perspectiva de desenvolvimento, disse.
Sobre a construção da fábrica da Ford na Bahia, Lula reafirmou ser favorável à operação, desde que haja um limite na concessão de benefícios fiscais federais. Defendo que o modelo de desenvolvimento brasileiro seja descentralizado, mas não concordo é que os governos tirem dinheiro público da educação, saúde, agricultura para financiar a instalação de uma multinacional.
Segundo Lula, a Ford teve um faturamento, em 1998, de mais de US$ 150 bilhões, valor superior ao do Orçamento da União previsto para 2000, de cerca de US$ 100 bilhões. Como se explica o governo dar dinheiro para uma empresa dessa? Queremos a Ford, oferecemos mão-de-obra qualificada e barata, infra-estrutura para escoamento da produção, mercado, até isenção fiscal por 15 ou 20 anos; mas financiar o capital de giro ou sua implantação é um contra-senso.





