Lula diz que programa ajuda a classe média
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quinta-feira, 20 de outubro de 2005
Leonencio Nossa e Lisandra Paraguassú<br> Agência Estado 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o programa Bolsa-Família, voltado a pessoas de baixa renda, acaba beneficiando a classe média, pois ajuda a reduzir a criminalidade. Em discurso na abertura de um seminário internacional sobre o programa, que ontem completou dois anos de lançamento, ele afimou que os investimentos na concessão dos benefícios reduzem o número de menores nas ruas e no crime: ''O resultado final é atender aqueles que pagam impostos no Brasil. Quanto mais crianças e adolescentes na escola e comendo, menos pessoas vamos ter praticando delitos e pequenos delitos, tornando-se marginais.''
Nas últimas semanas, com o enfraquecimento da crise política, o Palácio do Planalto avaliou, com números de pesquisas, que o presidente perdeu a confiança sobretudo da classe média. O Bolsa-Família, que faz parte do Fome Zero, é o principal projeto do governo para temperar o processo eleitoral de 2006. Atualmente, a bolsa é concedida a 8 milhões de famílias.
O presidente rebateu críticas de setores que estariam reclamando da prioridade do governo em investir no programa de transferência de renda. ''O dado concreto, gente, vou dizer para vocês, é que tem gente que reclama: Ah, o governo poderia estar fazendo estradas'', reclamou. ''Não fico nem nervoso quando as pessoas falam isso, porque o cidadão que toma café da manhã todo dia, almoça todo dia, janta todo dia, não tem porque reconhecer a fome com a mesma força com que outros reconhecem.''
Um momento constrangedor da cerimônia foi quando o representante das Nações Unidas no Brasil, Carlos Lopez, disse ao fazer elogios ao programa que o País não deve exportar apenas ''carne e frango'', mas ações como o Bolsa Família. Atualmente, o governo brasileiro enfrenta o problema da febre aftosa no rebanho de Mato Grosso do Sul e concentra esforços para evitar a entrada da gripe aviária.
Lula disse que qualquer país pode copiar a idéia do Bolsa-Família, sem precisar pagar pela ''patente''. Também afirmou que o importante é garantir alimentação às famílias pobres. ''O nosso papel não é discutir filosofia'', salientou. ''Cada um que dê um nome (ao seu projeto). Isso é igual enredo de carnaval. Cada um invente seu enredo e toque a bola para frente.''


