Lula diz que presidente é covarde diante da crise
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quarta-feira, 02 de setembro de 1998
Fábia Prates Agência Folha 
O candidato à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse ontem que o presidente Fernando Henrique Cardoso está escondendo de forma mesquinha a crise econômica do povo brasileiro por motivos eleitoreiros e que é covarde por não discuti-la. Os políticos que não estão preocupados com o Brasil, mas apenas com a sua reeleição e com a manutenção do poder, estão escondendo isso para poder passar as eleições. Depois, que venha o vendaval, porque não vai derrubar a casa deles, vai derrubar a casa do povo pobre, do desempregado. Lula fez a declaração ao comentar o que chamou de puxão de orelha do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL/BA) no ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros (Comunicações).
O ministro disse que o governo deveria se preparar para depender menos do capital externo e defendeu uma redução nas importações. O senador reagiu dizendo que o objetivo do ministro foi o de atender a seu desejo pessoal ou ao de terceiros. Ele não revelou quem seriam os terceiros.
Eu acho bom que ela (a divergência) esteja sendo explicitada agora porque mostra que o governo não está discutindo a crise. Se estivesse discutindo, teria feito uma reunião e não teria esse atrito, afirmou o petista.
Lula disse ter ficado surpreso com o presidente por ele não ter se manifestado sobre as propostas do PT para a política econômica, apresentadas no horário político gratuito de sábado. Nós queríamos que Fernando Henrique Cardoso fosse para a TV dizer se o Lula está certo ou errado. Ele não tem coragem, porque de forma mesquinha está escondendo a crise do povo brasileiro. Ele sabe que ela existe.
O candidato petista negou que queira tirar proveito da crise, ao criticar a posição do adversário. Disse que assumir que a crise existe é uma questão de honestidade, caráter e respeito aos outros. Conselho político Lula negou que o conselho político que o PT pretende formar seja exclusivamente para buscar propostas de solução para a crise financeira.
Eu acho que é importante que, enquanto candidato ou enquanto presidente eleito, qualquer cidadão ou cidadã brasileira crie um conselho político para ouvir a sociedade. Se Fernando Henrique estivesse ouvindo os gritos da rua, talvez ele não errasse tanto. Ele não ouve os gritos da rua. Ele atende aos cochichos dos banqueiros e de empresas multinacionais, afirmou.
Lula esteve ontem no Sul de Minas. De manhã, em Varginha, encontrou-se reservadamente com cafeicultores e produtores de leite. A assessoria do candidato informou que ele prometeu aos agropecuaristas criar, se eleito, linhas de crédito específicas para financiar estoque de café e barreiras para impedir que entre no Brasil, via Argentina, leite de países europeus a preços mais baixos.


