Lula diz que país determina sua 'matriz econômica'
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quinta-feira, 29 de dezembro de 2005
Folhapress 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, no Palácio do Planalto, que o Brasil é dono de seu nariz e irá estabelecer sua ''matriz de política econômica'' porque entrou ''definitivamente na rota do crescimento''. ''Acreditem que o Brasil entrou definitivamente na rota do crescimento econômico. E não um crescimento de vôo de galinha, que cresce um ano e cai outro ano. O país está preparado, com estabilidade, com inflação controlada para crescer durante dez ou 15 anos de forma sucessiva, obviamente que respeitando as intempéries que podem acontecer pelo mundo econômico afora'', afirmou para parlamentares e pessoas ligadas a universidades federais.
Ao defender novamente o pagamento antecipado de US$ 15,5 bilhões ao FMI e de US$ 2,6 bilhões ao Clube de Paris, completou: ''Crescemos, somos donos do nosso nariz, iremos estabelecer nossa matriz de política econômica, nossa política de crescimento e queremos com organismos multilaterais toda a solidariedade do mundo, mas queremos tocar a economia brasileira à custa daquilo que temos de mais importante, que é nossa força de trabalho''. Ele não deu mais detalhes do que seria a ''nossa matriz de política econômica''.
Entre lembrar e esquecer, o presidente Lula prefere o primeiro verbo, quando o assunto é o ano de 2005. Questionado ontem se este ano é para ser lembrado ou esquecido, Lula respondeu: ''Para lembrar, lógico''. O ano de 2005 foi recheado de notícias ruins para o presidente Lula: o termo ''mensalão'' caiu na boca do povo, um petista foi pego com US$ 100 mil na cueca e o crescimento ficou abaixo das previsões governistas, devendo fechar o ano em 2,5% do PIB.
Lula, porém, teve alguns bons dados para comemorar. A criação de empregos seguiu um ritmo forte, perto dos 4 milhões em três anos, Lula quitou a dívida com o FMI e os dados do IBGE mostram que a miséria caiu 8% no ano anterior.
Para completar, o Bolsa-Família chegou a 8,7 milhões de famílias, com a promessa de chegar a 11 milhões no ano eleitoral de 2006.
Mas o que ficou, nos índices de aprovação ao presidente e ao seu governo, foram as más notícias. As denúncias de Roberto Jefferson derrubaram a cúpula do PT, tornaram o tesoureiro Delúbio Soares e o publicitário Marcos Valério figuras conhecidas em qualquer esquina e dizimaram parte do primeiro escalão do governo: o mais emblemático foi a queda de José Dirceu, que começou o ano como ministro todo-poderoso e terminou o ano cassado pela Câmara, não sem antes levar bengaladas de um senhor indignado.
Lula, antes candidato fortíssimo à sua reeleição, hoje está atrás de José Serra (PSDB) na disputa eleitoral e empata com outro tucano, Geraldo Alckmin, que ainda é pouco conhecido fora de São Paulo.


