São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem em Agra, capital de Gana (África), que não vai alterar o tratado de Itaipu. O presidente do Paraguai eleito domingo, o ex-bispo Fernando Lugo, afirmou que um de seus objetivos é aumentar os preços do fornecimento de energia ao revisar o contrato. Lula afirmou que não vai mexer no tratado de Itaipu. ''Nós temos um tratado, e o tratado vai se manter'', disse depois de participar de uma reunião na Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento).
Ele afirmou que os dois países mantêm constantes reuniões para tratar de outros temas também polêmicos. ''Não é apenas a questão de Itaipu, é a questão da nossa fronteira, que é muito grande, envolve vários Estados, é a questão da Ciudad del Leste''.
Ele disse que os investimentos do Brasil no país vizinho é outro assunto sempre em discussão. ''(Temos a) questão de investimentos. Portanto, nós temos muito, muito para continuar conversando com o Paraguai. E vamos conversar.'' Lula disse que ainda não ligou para Lugo, mas que já mandou um telegrama dando os parabéns pela vitória. Ele afirmou que o resultado das eleições paraguaias consolida a democracia.
''A democracia ganhou e o Paraguai, certamente, vai consolidar cada vez mais o seu processo democrático'', disse. ''No Paraguai você tinha um partido que governava há 60 ou 70 anos. Ele venceu uma eleição muito disputada, reconhecida já por todos os outros candidatos'', disse.
Ao contrário do que disse o presidente Lula, o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) afirmou que o Brasil pode reajustar o valor pago ao Paraguai pela energia excedente da hidrelétrica de Itaipu. Amorim, que integra a comitiva de Lula, disse que a medida já foi tomada no passado, apesar de o documento prever que o excedente de um dos sócios seja vendido ao outro pelo preço de custo.
''Vamos continuar discutindo com o Paraguai normalmente como ele pode obter uma remuneração adequada para sua energia. Isso é justo'', disse o ministro.

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