O candidato derrotado do PT à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, classificou ontem em Porto Alegre, de ‘‘jogo de cena’’ as informações que o governo federal vem divulgando em relação às conversas com o FMI. ‘‘Não tem negociação, o FMI fez um pacote e vai impor ao governo brasileiro, que de forma mesquinha tenta vender para a sociedade que está negociando’’, comentou.
Para o líder petista, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, não é uma grande negociador, mas sim um ‘‘grande vendedor do nosso território e da nossa soberania’’. Na opinião de Lula, o governo brasileiro está ‘‘enfraquecido, fragilizado’’ e não tem ‘‘moral’’ para apresentar qualquer proposta ao Fundo Monetário. ‘‘Foi tudo imposto pelo FMI’’, ressaltou.
Ele também criticou Malan porque o ministro ‘‘viaja toda a semana a Washington, mas não se dispõe a ir meia hora ao Congresso’’ para explicar o ‘‘acordo secreto’’ aos deputados e senadores. ‘‘Se alguém vai fazer um acordo em nome de 160 milhões de habitantes, esses habitantes no mínimo deveriam conhecer o acordo porque quem vai pagar é o povo’’, afirmou.
Eleição Lula disse que, pessoalmente, ficará ‘‘neutro’’ em relação à disputa entre Paulo Maluf (PPB) e Mário Covas (PSDB) pelo governo paulista. ‘‘Cada companheiro (petista) se posiciona como quiser se posicionar, já que o partido deu esse direito. Eu, particularmente, vou ficar neutro no processo eleitoral’’, disse Lula.
O petista declarou que esperava ‘‘um pouco mais’’ de Covas. ‘‘Não me sinto animado para ter o mesmo gesto da Marta’’ (Suplicy), candidata do PT ao governo, derrotada no primeiro turno, que declarou apoio a Covas. Em relação à eventual eleição de governadores oposicionistas no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal, Lula disse que se estabelecerá ‘‘um novo patamar de relação’’ dos estados com o governo federal.

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