Bagé (RS) - Em discurso para cerca de 10 mil pessoas ontem no centro de Bagé (RS) no qual atacou por diferentes vezes e sem citá-lo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou setores da imprensa por somente ‘‘vender a desgraça’’ do país e afirmou que alguém terá de pedir
‘‘desculpas’’ aos que diante da atual crise política estão sendo ‘‘manchados’’ pelo noticiário.
  ‘‘Vamos investigar, apurar e somente os culpados terão que pagar. E o nome de inocentes que foram manchados pela
imprensa do Brasil inteiro, alguém vai ter de pedir desculpa porque neste país se aprendeu apenas a crucificar e não a pedir perdão quando se comete er-ros’’, afirmou.
  Ontem, em fala de 35 minutos na qual misturou trechos lidos e improvisados, Lula admitiu que o país vive uma ‘‘crise política’’, afirmou ter ‘‘vergonha na cara’’ e que, por causa disso, promete acabar com a corrupção ‘‘num curto espaço de tempo’’. E, ao traçar um balanço de seu governo, disse estar ‘‘indignado’’ com o atual momento que atravessa o país.
  ‘‘Mas, ao mesmo tempo [das ações do governo], estamos vivendo uma crise política. É um tal de diz-que-me-diz que eu não sei como vocês estão se sentido. Eu me sinto indignado. Me sinto indignado’’, afirmou Lula, ao lado do ministro da Educação e presidente do PT, Tarso Genro, e do governador Germano Rigotto (PMDB-RS).
  Aparentando bom-humor, distribuindo autógrafos e acenando ao público, o presidente voltou a defender as investigações do Ministério Público, do Congresso e da Polícia Federal, mas, ao mesmo tempo, colocou-se novamente contrário ao que chamou de ‘‘julgamento precipitado’’.
  ‘‘Eu não faço julgamento precipitado (...) É preciso que as investigações sejam feitas, dando às pessoas a oportunidade de defesa para que a gente possa não cometer erros. Eu, da mesma forma que sou contra a pena de morte, sou contra a condenação a priori de qualquer pessoa’’.
  Ao contrário do que tem ocorrido em seus recentes discursos, Lula preferiu atacar, sem especificar, alguns setores da imprensa. Desde que a atual crise política veio à tona, o presidente vinha enaltecendo o papel informativo e investigativo da mídia. Ontem, porém, falou das ‘‘coisas extraordinárias’’ feitas pelo governo que não chegam à população.
  ‘‘Eu queria dizer essas coisas [ações do governo] porque nem sempre nós somos informados da verdade que acontece no país. Muitas vezes as pessoas preferem vender a desgraça do que [sic] vender as coisas boas que acontecem no dia-a-dia da vida desse país. E tem acontecido coisas extraordinárias.’’
  A visita a Bagé faz parte da estratégia do Planalto de aumentar o ciclo de viagens nacionais de Lula. Ele participou de um ‘‘ato de anúncio’’ de criação da Universidade Federal do Pampa (onde discursou) e visitou um ‘‘projeto piloto’’ do Fome Zero numa escola municipal.

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