Lula diz que governo é passivo
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de agosto de 2002
Denise Angelo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba O presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez ontem, em Curitiba, várias críticas ao presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). ''O que acontece é que estamos assistindo um governo passivo, sem nenhuma reação que demonstre acreditar que é necessário mudar os rumos da economia para que a gente não precise ficar mendigando a cada mês, cada bimestre, cada trimestre, um empréstimo do FMI (Fundo Monetário Internacional)'', disparou.
Lula disse ainda que o governo precisa parar de brincar ao dizer que a crise é consequência do momento político. ''Se ele ainda tem quatro meses de mandato e não tem credibilidade para isso (acalmar o mercado), o que ele quer? Que alguém que ainda nem ganhou as eleições e quem nem assumiu, possa assumir mais compromissos do que nós já fizemos na Carta ao Povo Brasileiro?''
O petista se referia ao convite feito ontem por FHC aos quatro principais candidatos à presidência para discutir a situação da economia brasileira e os acordos internacionais que estão sendo assinados pelo governo com instituições financeiras. O encontro está marcado para segunda-feira. Ele disse que antes de se encontrar com o presidente precisa reunir a sua equipe para planejar que propostas serão levadas. O presidenciável deu entrevista ontem à tarde e depois seguiu para uma visita à sede do PMDB e caminhada no Calçadão da Rua XV.
A saída apontada pelo petista é ativar a economia brasileira, fazendo a mini-reforma tributária baseada na desoneração da produção e das exportações. ''O governo preferiu ficar festejando um futuro acordo ao invés de tomar uma atitude. O único caminho que tem para o Brasil é voltar a produzir'', considera.
''Nesse instante em que o País está empobrecendo, vendo sua moeda fragilizada diante da ganância do mercado e a equipe econômica está tão incapaz de resolver, por que é que o presidente não reconhece publicamente a fragilidade e convoca a sociedade?'' Na sua opinião, é preciso convocar não só os candidatos, mas os empresários e os trabalhadores. ''Se o governo não tem saída, ele que procure saída na sociedade.''
Questionado sobre a provocação feita por Ciro Gomes (PPS), que disse que Lula está ''domesticado'' por declarar apoio ao acordo feito com o FMI, Lula disse que tem gente que faz um esforço imenso para poder parecer oposição. ''Eu não preciso. A minha história demonstra o que eu fui, o que eu sou e o que eu serei nesse País''. Já Ciro seria ''jabuticaba do mesmo pé''. ''Ele tem o mesmo DNA (do governo). Por isso às vezes precisa esbravejar para parecer oposição.''


