O candidato das esquerdas à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), prosseguiu ontem na tática de culpar o governo Fernando Henrique Cardoso pela crise na economia e acusou o presidente de esconder do povo que irá fazer um pacote se vencer as eleições. Segundo ele, as notícias sobre um eventual pacote econômico depois das eleições saíram em todos os jornais da Inglaterra e dos Estados Unidos. ‘‘O presidente ficou chateado porque nós mostramos o que seu governo está dizendo lá fora, mas não tem coragem de dizer aqui dentro’’, disse o candidato.
Segundo Lula, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, informa apenas à imprensa estrangeira sobre os compromissos que o governo estaria sendo obrigado a assumir com com banqueiros estrangeiros e o FMI. ‘‘Ele (Malan) conta para a imprensa de lá o que o governo vai fazer, mas no Brasil ele diz que não vai fazer’’, disse Lula.
O candidato do PT comparou Fernando Henrique ao comandante do Titanic, que naufragou no início do século. ‘‘O comandante estava muito preocupado em agradar os passageiros ricos e de repente o navio bateu e afundou’’, disse. Segundo ele, ‘‘se o comandante do navio tivesse sido trocado, o acidente poderia ter sido evitado’’. ‘‘O Fernando Henrique também está muito preocupado em atender aos interesses dos agiotas internacionais’’.
Para Lula, recorrer ao FMI é um ‘‘suicídio’’. Segundo ele, a política que o Fundo impõe aos países emergentes é de aperto fiscal. ‘‘O papel do FMI é impor ajustes para ajudar os credores e não o povo’’, afirmou. Como exemplo, ele citou os casos da Coréia do Sul, Indonésia, Tailândia e Rússia. ‘‘Além de quebrar, todos estes países vão ter uma queda de 15% no Produto Interno Bruto, porque seguiram orientação do FMI’’, disse.
O petista disse que o governo está ‘‘matando’’ o Plano Real. Segundo Lula, a equipe econômica foi ‘‘incompetente’’ ao subordinar a estabilidade da moeda aos juros altos para aumentar a entrada do capital externo. ‘‘Agora, está saindo mais dinheiro do que entrou e o governo diz que vai precisar do FMI’’.
Faltando apenas duas semanas para a eleição, Lula diz que não pretende mudar sua estratégia para tentar uma reação nas pesquisa, favoráveis a FHC. ‘‘Vamos continuar falando da crise’’, disse. Segundo ele, é possível reverter a situação. ‘‘Estou intensificando a campanha de rua, viajando mais e acreditando na vitória’’, garante. ‘‘Vou trabalhar até às 17 horas do dia 4 de outubro, quando começa a apuração dos votos’’.

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