O sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse ontem em Curitiba que a derrota sofrida pelo governo federal na votação da Previdência é um ‘‘sinal’’ de que o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), ‘‘não tem controle sobre sua base eleitoral’’, no Congresso. ‘‘Ele só consegue as coisas na base do dando que se recebe. Só com a política de compra de votos’’, acusou. Lula passou o dia acompanhando um encontro de lideranças do PT. Ele chegou ao Paraná na noite da sexta-feira, no mesmo dia em que o presidente passou duas horas em São José dos Pinhais, participando na inauguração da montadora francesa de automóveis Renault.
Lula afirmou que FHC ‘‘tem que começar o segundo mandato melhor do que encerrou esse’’. ‘‘O governo FHC termina o primeiro mandato com sérias investigações, o grampo do BNDES e o Dossiê Caymann. Temos a dúvida ainda se quem manda no governo é o presidente ou o ACM (presidente do Senado Antonio Carlos Magalhães)’’, declarou. ‘‘A questão econômica do País é grave. O Brasil entrou numa encalacrada da agiotagem internacional e agora não tem como sair’’, disse.
Lula disse que ao invés do governo sobrecarregar a contribuição previdenciária, deveria acabar com a sonegação fiscal junto aos empresários. ‘‘Trinta por cento dos empresários sonegam pelo menos um tipo de imposto’’, disse. Ele cobrou ainda uma postura mais efetiva do presidente no caso do grampo. ‘‘A existência do grampo já uma coisa muito séria. Quem grampeia eles, pode amanhã grampear o PT, as nossas casas’’, disse. ‘‘O conteúdo da fita é muito forte, e o governo não fez nada. O presidente conhece o teor da fita e não toma nenhuma atitude’’, afirmou.
O petista disse que o Conselho Político da União do Povo Muda Brasil, colegiado oposicionista liderado pelo PT contra a política neoliberal do governo federal, precisa ter sua base ampliada. Para isso, ele garantiu ontem que o movimento é suprapartidário. ‘‘O Conselho precisa ser algo mais do que foi na campanha’’, avaliou. Lula avisou que a partir de janeiro do ano que vem, o movimento se diluirá nos Estados. ‘‘Queremos unir partidos, entidades da sociedade civil e empresários’’. Para Lula, ‘‘a oposição aprendeu a lição’’ de que precisa estar unida nas eleições. ‘‘Queremos nesse movimento setores do PMDB, o PDT, PC do B, PSB e o PPS do Ciro Gomes, que pode fazer parte dessa política de controle ao neoliberalismo’’, disse.
Lula avaliou ainda ser mais proveitosa a manutenção do senador Roberto Requião nos quadros partidários do PMDB. ‘‘Eu me sentiria honrado em tê-lo no PT, mas o momento é de ele ficar no PMDB e ganhar o partido’’, afirmou. Na opinião de Lula, Requião e o ex-presidente Itamar Franco devem ser vistos como as principais pontes para o avanço da união das esquerdas com o setor mais progressista do PMDB. ‘‘A eleição foi uma vitória política para nós. Os eleitores das esquerdas, os que votaram em branco e nulo, juntos, representam dois terços de votos contra Fernando Henrique. Eles não conseguiram impôr um fracasso como pretendiam. E nós acertamos na hora que incluímos a crise no nosso discurso’’, disse.

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