Lula diz que FHC levou país à UTI e precisou agir
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sexta-feira, 11 de setembro de 1998
Gilse Guedes Agência Estado 
O candidato à presidência da República pela frente de esquerdas, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse ontem em Fortaleza que o governo Fernando Henrique, de forma irresponsável, levou o País para uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e, por isso, não teve outra saída a não ser elevar os juros da Taxa Básica de Assistência do Banco Central (Tban) de 29,75% para 49,75%. Na UTI você faz o que pode, declarou. Segundo Lula, numa situação como a registrada quinta-feira, a única solução é estancar a saída de sangue, ou seja, tomar uma medida emergencial para impedir a fuga de dólares do País. Lula pediu que o governo e os meios de comunicação não escondam a realidade.
O petista disse que o presidente deu uma demonstração de que não está mais governando o Brasil ao garantir na tarde da quinta-feira que não iria aumentar os juros, para, às 22h30 do mesmo dia, anunciar a elevação da Tban para 49,75%. É importante lembrar: os banqueiros tinham reivindicado 50% e, para não ceder, ele chegou aos 49,75%. Para o candidato, Fernando Henrique mais parece um governante de uma empresa de agiotagem do que de um País.
Lula disse que seu adversário nas eleições demonstra não querer diálogo com a sociedade. Nem para aprovar a reeleição ele conversou, ele comprou votos, acusou. Segundo Lula, em 1998 a realidade é sombria. Por isso, acredita que o governo prepara um pacote monstruoso para depois das eleições. Ganhando ou perdendo, porque o mandato vai até 1º de janeiro.
Sobre a última pesquisa do Ibope, que registrou nova queda de intenções de voto para ele e crescimento da candidatura FHC, Lula disse que este é o resultado de uma tentativa de o presidente, tendo como aliado os meios de comunicação, desvincular a crise do governo, passando a idéia de que resultado de algo do outro mundo.
Segundo Lula, a única medida que a equipe econômica, burocrata e representante de Washington, sabe tomar é elevar juros diante da crise, prejudicando brasileiros que estão endividados os que têm crediário ou os que estão no cheque especial.
Após a divulgação da elevação dos juros, os coordenadores da campanha de Lula passaram a buscar mais informações sobre a crise, para que o candidato possa rebater os argumentos do governo. O candidato, que neste fim de semana faz campanha no Rio, tem deixado claro que pretende atingir um número maior de eleitores para falar sobre as consequências com a elevação dos juros. Hoje, quem comprou um geladeira vai ter de pagar praticamente o dobro do que pagaria há uma semana, disse.
Lula defendeu o controle progressivo do câmbio e voltou a dizer que é preciso uma nova estrutura da economia, com juros baixos, uma nova política tributária, fim das importações predatórias e o aumento das exportações. Segundo o petista, FHC pode evitar a saída de dólares com medidas que atinjam investidores não residentes no País e multinacionais. Para ele, FHC tomou uma atitude humilhante ao pedir a líderes mundiais apoio a medidas para se evitar a crise. Ele sabe perfeitamente que o problema está no Brasil, disse.


