O candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou ontem que o pronunciamento do presidente Fernando Henrique Cardoso foi um ‘‘recado ao FMI e aos grandes grupos econômicos’’. Para ele, o objetivo do governo foi ‘‘finalizar’’ que a política econômica será mantida. ‘‘O presidente da República jogou fora 20 minutos do seu precioso tempo sem dizer nada para o povo brasileiro’’, disse o candidato. Na opinião do petista, o governo está cometendo ‘‘estelionato’’ ao esperar as eleições para divulgar um pacote com medidas econômicas. ‘‘Todo o povo brasileiro tem de se sentir vítima desse estelionato eleitoral’’.
O candidato não quis comentar a última pesquisa do Ibope, na qual houve uma diminuição da diferença nas intenções de voto entre ele e o presidente Fernando Henrique Cardoso. Lula disse, entretanto, que está confiante de que haverá segundo turno. ‘‘Há uma grande parcela do eleitorado que não se definiu e nem todos os votos do governo são definitivos’’, observou. O petista afirmou ter estranhado o fato de a pesquisa não ter sido divulgada ontem na televisão.
EstataisNo Rio, Lula acusou ontem FHC e governadores de estarem usando o dinheiro obtido com as privatizações para fazer campanha. ‘‘Cadê o dinheiro das estatais que era para ser utilizado na educação, saúde e para cuidar das criancinhas?’’, questionou Lula durante uma entrevista na barca a caminho para Niterói, onde participou de um comício no centro da cidade, ao lado dos candidatos a vice-presidente, o ex-governador Leonel Brizola (PDT), a governador do Rio Anthony Garotinho (PDT) e à vice, a senadora Benedita da Silva (PT).
‘‘Há muito governador do Brasil fazendo campanha com dinheiro das estatais. ‘‘E isto é visível, começando pelo presidente da República até um governador do Estado mais pobre’’, disse o petista. Lula afirmou ainda que integrantes da equipe de Fernando Henrique começam a perceber que a ‘‘coisa não está boa’’ no que diz respeito à crise nas bolsas de valores.
Discursando para cerca de 3 mil pessoas, Lula procurou explicar de forma didática os efeitos econômicos com a elevação das taxas de juros. ‘‘Cada vez que os juros sobem, se aumenta a dívida pública. O povo pobre não está percebendo ainda, mas depois vai ver que as prestações vão ficar mais caras’’, declarou. Ele afirmou que o governo Fernando Henrique no final do mandato terá pago R$ 200 bilhões em juros, o que daria para comprar cinco vezes a frota de carros da produzida em um ano pela indústria automobolística. (Colaborou Gilse Guedes).

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