O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, disse ontem em Curitiba que o presidente Fernando Henrique Cardoso está tendo uma ‘‘atitude covarde’’ e que está ‘‘dificultando as apurações’’ sobre a atuação do ex-secretário da Presidência Eduardo Jorge. ‘‘O Fernando Henrique está com medo de que as investigações vão muito longe e resvalem nele’’, criticou. Lula esteve em Curitiba para reforçar a campanha do candidato a prefeito do PT, o deputado estadual Ângelo Vanhoni.
Lula disse que é favorável à criação de uma CPI para apurar as denúncias de tráfico de influência e favorecimento de empresas supostamente praticados pelo ex-secretário da Presidência. ‘‘O Jáder Barbalho fez a CPI dos Bancos, o ACM fez a do Judiciário, por que nós não poderíamos criar uma comissão para investigar o escândalo Eduardo Jorge?’’, questionou. O presidente de honra do PT admitiu, porém, que ‘‘numericamente’’ ainda não é possível pedir que a comissão seja instalada.
Na opinião dele, a CPI seria ‘‘um instrumento mais refinado’’ para apurar a atuação de Eduardo Jorge. ‘‘Não se trata de suspeitas sobre o envolvimento do governo federal com o Lalau (o juiz Nicolau dos Satos, ex-presidente do TRT de São Paulo). O próprio Eduardo Jorge deu uma entrevista na qual afirmou que o Lalau indicava juízes classistas que não pudessem atrapalhar a continuidade do Plano Real, como era solicitado pelo governo.’’
Lula disse que a ‘‘pressão social’’ pode fazer com que os parlamentares acabem criando a CPI. O mesmo argumento havia sido utilizado no domingo, em Londrina, pelo presidente nacional do PT, deputado federal José Dirceu. ‘‘É preciso lembrar que só se chegou ao impeachment do Fernando Collor depois dos depoimentos da secretária do Abílio Diniz (sobre a até agora não explicada ‘‘Operação Uruguai’’) e do Eriberto Alves (motorista do ex-presidente)’’, argumentou o presidente de honra do PT.
Ele disse que ontem a imprensa nacional deu uma ‘‘informação deformada’’ sobre a reunião dos candidatos a prefeito do PT, realizada na segunda-feira, em São Paulo. ‘‘Os jornais disseram que a reunião foi o lançamento da campanha para 2002. Mas, se resolvêssemos discutir 2002 agora, colocaríamos o carro na frente dos bois’’, comparou. Lula garantiu que o encontro serviu apenas para ‘‘unificar o discurso’’ dos candidatos do partido. ‘‘Vamos nacionalizar a campanha municipal. Evidentemente que não vamos deixar de falar dos problemas de cada cidade’’, destacou.

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