Lula diz que FHC adota atitude covarde ao dificultar apuração
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terça-feira, 01 de agosto de 2000
Rubens Burigo Neto De Curitiba 
O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, disse ontem em Curitiba que o presidente Fernando Henrique Cardoso está tendo uma atitude covarde e que está dificultando as apurações sobre a atuação do ex-secretário da Presidência Eduardo Jorge. O Fernando Henrique está com medo de que as investigações vão muito longe e resvalem nele, criticou. Lula esteve em Curitiba para reforçar a campanha do candidato a prefeito do PT, o deputado estadual Ângelo Vanhoni.
Lula disse que é favorável à criação de uma CPI para apurar as denúncias de tráfico de influência e favorecimento de empresas supostamente praticados pelo ex-secretário da Presidência. O Jáder Barbalho fez a CPI dos Bancos, o ACM fez a do Judiciário, por que nós não poderíamos criar uma comissão para investigar o escândalo Eduardo Jorge?, questionou. O presidente de honra do PT admitiu, porém, que numericamente ainda não é possível pedir que a comissão seja instalada.
Na opinião dele, a CPI seria um instrumento mais refinado para apurar a atuação de Eduardo Jorge. Não se trata de suspeitas sobre o envolvimento do governo federal com o Lalau (o juiz Nicolau dos Satos, ex-presidente do TRT de São Paulo). O próprio Eduardo Jorge deu uma entrevista na qual afirmou que o Lalau indicava juízes classistas que não pudessem atrapalhar a continuidade do Plano Real, como era solicitado pelo governo.
Lula disse que a pressão social pode fazer com que os parlamentares acabem criando a CPI. O mesmo argumento havia sido utilizado no domingo, em Londrina, pelo presidente nacional do PT, deputado federal José Dirceu. É preciso lembrar que só se chegou ao impeachment do Fernando Collor depois dos depoimentos da secretária do Abílio Diniz (sobre a até agora não explicada Operação Uruguai) e do Eriberto Alves (motorista do ex-presidente), argumentou o presidente de honra do PT.
Ele disse que ontem a imprensa nacional deu uma informação deformada sobre a reunião dos candidatos a prefeito do PT, realizada na segunda-feira, em São Paulo. Os jornais disseram que a reunião foi o lançamento da campanha para 2002. Mas, se resolvêssemos discutir 2002 agora, colocaríamos o carro na frente dos bois, comparou. Lula garantiu que o encontro serviu apenas para unificar o discurso dos candidatos do partido. Vamos nacionalizar a campanha municipal. Evidentemente que não vamos deixar de falar dos problemas de cada cidade, destacou.


