Tegucigalpa, Honduras - Na primeira declaração pública desde que Renan Calheiros (PMDB-AL) passou a ser alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou ontem que irá intervir caso as investigações paralisem o Senado e afirmou que nenhum caso individual, ''por mais importante que seja'', pode atrapalhar a votação de temas de interesse do país.
Lula concedeu entrevista coletiva em Tegucigalpa (Honduras), segundo destino da visita a cinco países. Questionado se há preocupação em relação à agenda no Congresso, já que a oposição ameaça obstruir a pauta no Senado se Renan ficar no cargo, Lula disse que, até domingo passado, quando saiu do Brasil, o Senado e a Câmara tinham votado ''as coisas que entendíamos que deveriam votar''.
Lula afirmou que atrasos em votações acontecem por ''n'' fatores, e acrescentou: ''regressando ao Brasil, se eu descobrir e os ministros que ficaram lá me afirmarem que o Senado está atrasando alguma votação, irei me reunir com a liderança do governo no Senado, com a liderança dos partidos políticos e pedir para eles que nenhum caso individual, por mais importante que seja, pode atrapalhar a votação de temas de interesse do país. É isso''.
O presidente disse que ''faz dois meses que não se fala em outra coisa a não ser na investigação que se faz da vida do senador'' e que é preciso aguardar uma posição ou do Conselho de Ética do Senado ou do STF. Fora disso, afirmou, ''vamos viver com especulações até que este caso termine''. Evitando se posicionar sobre o futuro de Renan, ainda disse que ''um presidente da República, por mais importante que seja, não dá palpite sobre o que vai acontecer na Suprema Corte''.
No final de junho, na primeira aparição pública ao lado do presidente do Senado após o surgimento das denúncias, o presidente havia afirmado que é preciso ter cuidado para ''evitar que pessoas sejam execradas publicamente antes de serem julgadas''.

*A jornalista Letícia Sander viajou no trecho México-Honduras em avião da Força Aérea Brasileira em razão da ausência de vôos comerciais em tempo hábil para a cobertura jornalística

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