Brasília - Em discurso improvisado ontem na abertura de reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, no qual cobrou igualdade de desenvolvimento no país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que deputados das regiões Norte e Nordeste são movidos pelo ''poder de pressão'' e por ''interesses da parte mais rica do país'' no momento em que aprovam projetos que acabam beneficiando o Sul e o Sudeste. Para o presidente, ''cheira a irracionalidade'' as regiões mais desenvolvidas do país (Sul e Sudeste) disputarem verbas de desenvolvimento com Centro-Oeste, Norte e Nordeste.
''É uma coisa contraditória. Vocês percebem que nem tudo é resolvido pela maioria, porque, se for fazer o somatório no Congresso, você vai perceber que a maioria dos congressistas é do Norte e Nordeste. E dizem que eles próprios acusam que a maioria das políticas é para ajudar o Sul e o Sudeste. Então, significa que tem muito deputado do Norte e Nordeste votando nas políticas do Sul e Sudeste e não votando nas do Nordeste. E por que predomina isso? Por causa do poder de pressão, dos interesses da parte mais rica do país.''
A reunião de ontem do Conselho tratou de políticas nacionais de desenvolvimento regional. Antes de falar, Lula ouviu uma explanação de 45 minutos do ministro Ciro Gomes, que mostrou mapas e dados nos quais indicou a necessidade de um direcionamento de investimentos para as regiões Norte e Nordeste.
Logo no início de sua fala, Lula já tocou no tema: ''Vira e mexe, eu vejo na imprensa uma divergência que me cheira a irracionalidade, ou seja, vira e mexe eu vejo o Sul ou o Sudeste do país brigando pelo dinheiro do desenvolvimento para o Norte, para o Nordeste ou para o Centro-Oeste, como se fosse a mesma coisa''.
Lula disse que o Sul e o Sudeste, ''por 'n' fatores'', já tiveram vantagens comparativas para contar hoje com melhores profissionais, estradas e universidades.
Depois disso, o presidente buscou evitar que suas declarações causassem polêmica com governadores e prefeitos. ''Então, eu acho normal que cada um tente, o governador, brigar pelo seu Estado; o prefeito, brigar pela sua cidade; mas nós temos que brigar pelo país. Quando eu era dirigente sindical, meu único interesse eram os metalúrgicos. O mundo, para mim, se resumia aos metalúrgicos. Agora, que eu sou presidente, o mundo se resume ao Brasil.''

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