Montevidéu, Uruguai - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que seus adversários estão ''tentando fazer golpismo'' contra ele, a exemplo da ação que resultou na queda momentânea de Hugo Chávez na Venezuela, em 2002. Ao deixar a 29 Cúpula do Mercosul ontem, em Montevidéu, que incorporou a Venezuela ao bloco, Lula disse que seus adversários dizem que ele age como o presidente Hugo Chávez, mas que, na realidade, são eles que se comportam como a Fedecámara, a instituição de empresários que orquestrou o golpe contra Chávez em 2002.
A comparação foi motivada por uma entrevista concedida pelo presidente à revista ''Carta Capital'', que começou a circular ontem. ''O Chávez é o Chávez e eu sou eu. Agora, eles estão agindo no Brasil como a Fedecámara agiu na Venezuela, sem respeitar o jogo da democracia'', disse Lula à revista. Depois de conversar com os jornalistas sobre a entrada da Venezuela no Mercosul, Lula respondeu a uma pergunta sobre a comparação feita à Carta Capital.
''Eu não li a revista'', disse, mas, diante da insistência dos jornalistas completou: ''Porque é verdade. Tem alguns que ficam dizendo que eu, quando vou fazer um ato público, ajo como se fosse o Chávez, eu digo sempre, eu não estou agindo como o Chávez. Agora, os meus adversários estão agindo como agiu a Fedecámara contra o Chávez, ou seja, tentando fazer golpismo'', afirmou.
A Fedecámara é a união nacional das indústrias venezuelanas, equivalente à Confederação Nacional da Indústria (CNI) no Brasil. Em 2002, o então presidente da instituição Pedro Carmona Escanga organizou uma greve geral no país que culminou em um golpe contra o governo de Chávez com a colaboração dos generais da Força Armada Nacional. Chávez foi enviado a uma ilha no Caribe, onde foi preso, e seria enviado para fora do continente por seus opositores. Mas o golpe durou apenas 48 horas. A população saiu às ruas para protestar e militares de baixa patente desobedeceram as ordens de seus superiores. Um helicóptero resgatou Chávez da prisão na ilha e o presidente venezuelano voltou ao poder. Carmona está exilado na Colômbia.
Lula aproveitou a entrevista também para defender a Coteminas, empresa do vice-presidente da República, José Alencar. Para ele, o único problema do negócio foi o PT não ter pago a dívida com a empresa do vice: ''O PT deve e tem que pagar, e a Coteminas fez o que tinha que ser feito: foi atrás para receber em uma negociação comercial totalmente normal em qualquer lugar do mundo.''

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