Lula diz não à guerra e cobra solução pacífica
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segunda-feira, 17 de março de 2003
Agência Estado 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou ontem a defender uma solução pacífica para o conflito dos Estados Unidos com o Iraque, condenando a possibilidade de um ataque americano a Bagdá sem o aval da Organização das Nações Unidas (ONU).
''Até o último momento devemos bater-nos por uma solução pacífica e, em qualquer caso, juntarmos esforços para defender o sistema multilateral e a Carta da ONU'', disse Lula, em discurso antes de almoçar com o primeiro-ministro da Malásia, Mahatir Mohamad, no Itamaraty.
O presidente brasileiro defende o fortalecimento da ONU para fazer frente à hegemonia dos Estados Unidos.
''Devemos persistir tenazmente no processo de reforma da ONU. As Nações Unidas devem ecoar as mudanças ocorridas na cena internacional nos últimos 50 anos e assim continuar a desempenhar seu papel insubstituível na promoção da paz e do desenvolvimento entre os povos.'' Lula destacou que o Brasil e a Malásia têm a mesma posição em relação à guerra. ''Brasil e Malásia vêem com a mesma preocupação a possibilidade de um desfecho não-pacífico da crise no Iraque sem o endosso das Nações Unidas'', disse Lula. ''Coincidimos na defesa de um sistema mundial aberto e democrático. Defendemos o fortalecimento do multilateralismo e das Nações Unidas, em especial nesta fase de crise internacional que vivemos.''
A visita do primeiro-ministro malaio, que deixará o cargo em outubro, teve caráter de cortesia e não serviu para a assinatura de nenhum acordo entre os dois governos. Ele e Lula, no entanto, discutiram a ampliação do comércio bilateral, que alcançou US$ 639 milhões no ano passado.
Sem citar os Estados Unidos, Mahatir Mohamad criticou a disposição do presidente George W. Bush de atacar o Iraque. ''Nenhum posicionamento unilateral, em termos de questões internacionais, deveria abalar a paz e a segurança internacionais'', disse ele.
Na linha dos discursos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Lula reafirmou que a luta contra o terrorismo não deve tirar da agenda mundial o compromisso de combate às desigualdades entre os países.


