Santiago - Durante visita oficial que inicia hoje ao Chile e ao Equador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai dar ênfase à cooperação na área social e tentar aprofundar a proposta de criação de um fundo mundial de combate à fome e à pobreza. Esse será o principal tema da reunião entre 50 chefes de Estado no dia 19 de setembro, em Nova York, véspera da abertura da Assembléia Geral das Nações Unidas.
Para reiterar a prioridade do setor social na agenda política, Lula e o presidente do Chile, Ricardo Lagos, assinam hoje um memorando de entendimentos na área social. Amanhã, os dois presidentes visitam a comunidade La Granja, onde está sendo desenvolvido um projeto do programa Chile Solidário, para inserção social de famílias de baixa renda. É um projeto similar ao Fome Zero.
Durante o dia, além de cerimônia para assinatura de atos, Lula terá encontros com os presidentes da Câmara e Senado, visitará a prefeitura de Santiago e a Corte Suprema. Lula terá ainda reunião com o presidente da Central Única dos Trabalhadores do Chile, Arturo Martinez. No final do dia se reunirá com a comunidade brasileira. À noite, será homenageado com jantar oferecido por Lagos no Palácio La Moneda.
De acordo com diplomatas, Lagos deve também convidar Lula para participar da reunião de cúpula da Associação para a Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), que se realiza em novembro, em Santiago.
País de economia aberta e estável, nem todas as posições do Chile correspondem às assumidas pelo governo brasileiro, como no caso da Alca, por exemplo. Apesar disso, as relações bilaterais entre Brasil e Chile são positivas, conforme avaliou o diretor-geral do Departamento da América do Sul do Itamaraty, Enio Cordeiro. Segundo ele, o Chile tem interesse em ampliar suas afinidades com o Brasil, até porque tem focos de tensão com Argentina e Bolívia, seus principais vizinhos.
Segundo o Itamaraty, o Chile também tem interesse em ampliar o acordo como membro associado do Mercosul. Os chilenos já têm participação plena em órgãos internos que discutem temas macroeconômicos como o Fórum de Consulta e Concertação Política, que se reúne com frequência.
Lula segue amanhã para o Equador, onde a questão social também estará em pauta, assim como a melhora do fluxo comercial e a ampliação dos investimentos em infra-estrutura, como energia e telecomunicações. Os equatorianos querem que o Brasil os ajude financeiramente, por meio do BNDES, na construção de uma usina hidrelétrica, com custo estimado em U$ 320 milhões. Lula volta ao Brasil, na quarta-feira.

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