São Paulo Existe uma tendência progressiva de queda nas taxas de aprovação do governo e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em razão do desgaste provocado pelo caso Waldomiro e pela tentativa de abafar a CPI proposta pela oposição, admitem dirigentes de importantes institutos de pesquisa. Eles entendem que o ''pilar ético'' do PT foi seriamente danificado, atingindo o governo e o presidente. E que, para reverter a situação, o governo tem de mostrar as realizações concretas que até aqui não aconteceram.
As taxas de aprovação do governo vão cair e pode-se esperar para breve quedas importantes na aprovação pessoal do presidente Lula, afirma o diretor da FGC Opinião, Marcelo Simas, especialista em pesquisas de satisfação. Segundo ele, os desdobramentos do caso Waldomiro atingiram o ''patrimônio ético'' do PT e feriram as altas expectativas da sociedade. O governo só conseguirá reverter a situação se concretizar rapidamente projetos de forte impacto e visibilidade.
A diretora-executiva do Ibope, Márcia Cavallari, menos pessimista, fia-se em uma pesquisa aplicada logo após eclodir o caso Waldomiro e acha que o ministro José Dirceu teve a imagem mais prejudicada, mas o governo e o presidente perderam bem menos. Mas concorda com o diagnóstico: se o governo não começar a funcionar muito rapidamente haverá problemas e as perdas vão se acentuar até patamares dramáticos.
Já a diretora do Instituto Retrato, Maria Tereza Monteiro, especialista em pesquisas qualitativas, descarta a importância do caso Waldomiro e apresenta um diagnóstico surpreendente. Na eleição, a ótica popular era de que Lula faria mudanças; agora é de que ele está vigiando se os outros fazem as mudanças. Essa visão traz embutida a constatação de que Lula, por si, é incapaz de dirigir as mudanças, por desconhecimento técnico e intelectual.
O diretor da MCI Estratégias, Antônio Lavareda, acha que abafar a CPI do caso Valdomiro, que tinha o apoio de 80% da população, ''foi mais danoso do que o caso, em si''. Nas próximas pesquisas ele espera nova queda na avaliação do presidente e do governo e recomenda ao governo uma agenda concreta de realizações que responda aos desafios do desemprego, da segurança e das políticas sociais, combinada com uma agenda de recomposição do pilar ético.
O diretor do Vox Populi, Marcos Coimbra, lembra que, ao longo de seu primeiro ano de governo, Lula, ''por suas características pessoais'', manteve elevado o índice de confiança do cidadão comum na figura do presidente. ''É claro que estamos atravessando uma fase em que uma série de fatores contribui para desgastar o governo'', disse Coimbra. Contudo, ponderou que Lula ''suporta muito bem uma agenda ruim, ao contrário do Fernando Henrique''.
A despeito da blindagem pessoal de Lula, Maria Tereza Monteiro acha que ''caiu a ficha'': o sonho de um operário governar o País transformou-se em uma até aqui dissimulada decepção.

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