São Paulo - O presidente nacional do PMDB, deputado federal Michel Temer (SP), considera grave a afirmação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de ter impedido a divulgação de supostos casos de corrupção no governo Fernando Henrique Cardoso. Lembrou também que o funcionário público não pode, perante a Constituição, ''acobertar gestos de corrupção''.
Temer acredita que as palavras de Lula foram mal formuladas e colocadas. ''E ele deveria reconhecer isso. Se pudesse dar um conselho, diria ao presidente Lula para que fizesse um esclarecimento sobre a intenção que trouxe em suas palavras. Isso solucionaria o problema'', afirmou Temer.
Já o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso parece estar encontrando na eleição de Severino Cavalcanti (PP-PE) para a presidência da Câmara o motivo da irritação do presidente Lula, para ''esses destemperos verbais''. Fernando Henrique disse que também sofreu muita pressão e que é preciso que se preserve o respeito e a estabilidade política.
Mais aliviado mas não menos indignado, ao ler os jornais na manhã de ontem, ele disse, ao desembarcar às 11h45 no Aeroporto Santos Dumont com sua mulher Ruth, que continua aguardando uma posição das críticas feitas ao seu governo pelo atual presidente. Mesmo considerando que possa ser um destempero verbal, FHC está convencido de que tudo que fala acaba irritando Lula mesmo sem motivo.
Nota - Diante da repercussão das declarações do presidente Lula, o PT enviou comunicado à imprensa em defesa do presidente. Leia a íntegra do texto assinado pelo presidente nacional do PT, José Genoino:
''O Partido dos Trabalhadores vem a público para manifestar seu total apoio ao presidente Lula ante as críticas e iniciativas de ataque injustificadas de que é alvo por parte de setores da oposição. No discurso que motivou a reação desproporcional e despropositada destes setores, o presidente Lula apenas informou à opinião pública que não permitiu que a situação estrutural de um órgão público fosse politizada desnecessariamente. Tratou-se de uma atitude responsável, pois não cabe a um chefe de Estado e de governo estimular conflitos políticos desnecessários com a oposição ou com quem quer que seja. O presidente disse em seu discurso que queria que seus auxiliares abordassem e superassem problemas estruturais de órgãos públicos com iniciativas positivas para que o governo adotasse uma perspectiva de aposta no futuro do Brasil, evitando a atitude cômoda, mas impotente, da culpabilidade do passado.
Assim, o presidente Lula não acobertou nada, não afirmou que acobertou qualquer irregularidade, não acusou ninguém e não cometeu nenhum crime. Por ter orientado corretamente a postura pública de um auxiliar e do governo, não pode ser alvo de tentativas politizadas de processos de investigação.
Ao agir de forma sectária, setores da oposição parecem querer apostar no caminho da desestabilização política do governo e do Brasil, usando instrumentos democráticos para atingir objetivos meramente particularistas de setores de um partido político que não parecem estar conformados com o papel de oposição que o eleitorado lhe reservou.
O PT respeita o direito dos partidos oposicionistas de fazerem oposição e de criticarem os atos e palavras do presidente e de integrantes do governo. O que o PT não pode aceitar são tentativas desestabilizadoras artificiais. A democracia, no Brasil, foi conquistada por um árduo processo de lutas e de sacrifícios de muitas pessoas. A afirmação e construção da democracia não podem ser perturbadas pela exasperação sectária do conflito político, motivada pela interpretação subjetiva e equivocada de um discurso presidencial.''

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