Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou ontem as articulações políticas para a montagem do seu novo ministério. O primeiro encontro foi reservado com o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu.
Lula viaja hoje para o Rio Grande do Sul e amanhã deve retomar as negociações sobre a reforma ministerial. Na avaliação de aliados do presidente, Lula desta vez está mais cauteloso com a montagem de sua equipe, centralizando suas decisões e evitando especulações que possam gerar um clima de desconforto entre os ministros.
A idéia, segundo fontes do Planalto, é fazer com que a reforma ministerial esteja pronta antes do Carnaval. O presidente ainda não sinalizou quantos cargos serão trocados ou mesmo se haverá a extinção de alguma pasta.
De acordo com declarações dadas recentemente pelo líder do governo no Senado, Aloízio Mercadante (SP), a reforma pretende acomodar aliados como PP, que até o momento não ocupam cargos dentro do primeiro escalão.
A reforma deve dar mais um ministério para o PMDB. Acomodar os peemedebistas é um dos principais problemas hoje para o presidente. Atualmente, dois integrantes do PMDB já ocupam cargos. O ministro das Comunicações, Eunício Oliveira e o da Previdência Social, Amir Lando.
Apesar de terem saído fortalecidos junto ao Planalto, após terem derrotado na Justiça a convenção extraordinária do partido, em que ficou decidido o desligamento da legenda com o governo, um dos dois ministros pode abrir vaga para um nome mais forte dentro da legenda.
O presidente estuda a nomeação da senadora Roseana Sarney (PFL-MA), para uma pasta. Para isto a senadora deverá deixar a frente liberal. A legenda mais cotada é a do seu pai, senador José Sarney (PMDB-AP), que foi forte aliado do Planalto desde o início do governo Lula.
Ainda dentro do PMDB o senador Romero Jucá (RR) também é forte candidato a uma vaga na Esplanada. Jucá foi o relator do Orçamento Geral da União neste ano e tem apoiado a ala governista do partido desde que deixou o PSDB.
PP e PTB
O PP, partido do ex-prefeito Paulo Maluf, aguarda com ansiedade a reforma ministerial. Após conversas com o ministro José Dirceu e com o presidente Lula, o presidente nacional da legenda, deputado Pedro Corrêa (PE), anunciou publicamente que o partido vai ganhar uma pasta e já indicou o líder do partido na Câmara, deputado Pedro Henry (MT), como o futuro ministro. Corrêa só não soube adiantar qual pasta Henry vai ocupar.
Além de dar mais espaço dentro do governo para os partidos da base aliada, o presidente Lula tem que administrar os problemas internos do PT. O Partido dos Trabalhadores oferece grande resistência a abrir espaço para legendas como o PP de Paulo Maluf.
Romero Jucá, que já foi do PFL e vice-líder do PSDB e do governo durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso é outro nome que sofre resistência entre os petistas mais conservadores.

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