Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou o afastamento temporário de toda a cúpula da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O afastamento - que atinge o diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda - será por tempo indeterminado. Ou seja, vai até a conclusão das investigações da Polícia Federal.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, já foi comunicado da decisão. O Palácio do Planalto ainda não confirma o afastamento. Mendes teria sido grampeado por agentes da Abin, segundo reportagem da revista ''Veja''.
A decisão foi uma resposta às acusações de que autoridades dos três Poderes seriam alvo de grampo telefônico ilegal. A reação oficial saiu após um dia de reuniões no Palácio do Planalto e de cobranças públicas para que o presidente Lula adotasse medidas rigorosas, capazes de evitar uma ''crise institucional''.
A divulgação pela revista ''Veja'' de que autoridades do governo, do STF e do Legislativo estariam sofrendo monitoramento clandestino alterou a agenda do presidente Lula. A segunda-feira foi atípica no Palácio do Planalto.
Logo no início da manhã, Lula recebeu o presidente do STF, o vice-presidente do Tribunal, Cezar Peluso, e o ministro Carlos Ayres Britto, que preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mendes cancelou viagem que faria à Coréia do Sul para cuidar do caso.
À cúpula do Supremo, o presidente Lula manifestou ''indignação e preocupação'' com as escutas clandestinas, segundo informou o porta-voz Marcelo Baumbach.
À tarde, Lula recebeu o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN) e os senadores Demóstenes Torres (DEM-TO) e Tião Viana (PT-AC). De acordo com a revista ''Veja'', os três seriam alvo de escuta.
Segundo Garibaldi, o presidente teria admitido o risco de ''descontrole'' no uso de grampos telefônicos. O assunto foi novamente discutido na reunião de coordenação política, quando o presidente selou o destino de Paulo Lacerda.

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