Montevidéu - ''Nós não nascemos para ser pobres a vida inteira, não nascemos para sermos países em desenvolvimento a vida inteira, para ficar de fórum em fórum chorando o fato de a vaca leiteira não ter passado na porta da nossa casa.'' Essa foi a mensagem otimista que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva transmitiu ontem após o término da 25 Reunião de Cúpula do Mercosul. Ele classificou como ''histórica'' a assinatura do acordo entre o bloco e três países da Comunidade Andina: Colômbia, Venezuela e Peru. ''Esse acordo certamente mudará muito as relações que tivemos até agora'', comentou.
Na sua avaliação, a reunião de ontem marcou a ''reconstrução'' do bloco e contraria prognósticos feitos durante a última campanha eleitoral que o governo Lula acabaria com o Mercosul. Ele escolheu o bloco como a ''espinha dorsal'' da sua política externa. ''O Mercosul representa um processo irreversível de integração'', afirmou.
O fortalecimento do Mercosul, acredita ele, faz parte de um processo de elevação da auto-estima dos povos da região, que vem produzindo mudanças também no campo político. Ele citou a própria eleição, a do presidente argentino Néstor Kirchner, a eleição do presidente da Bolívia, Carlos Mesa e a do venezuelano Hugo Chávez como exemplos.
Segundo ele, a coesão entre os países da região deve se dar tanto no campo econômico quanto no político. ''Do meu ponto de vista, quanto mais forte estivermos, mais chance teremos de fazer grandes acordos com outros blocos.'' Isso não quer dizer, explicou, que os países da região perderão sua autonomia para buscar os acordos bilaterais que considerarem importantes.

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