Lula despolitiza caravana no PR
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sábado, 04 de agosto de 2001
Valmir Denardin<BR>De Curitiba 
O prefeito de Medianeira (58 quilômetros ao norte de Foz do Iguaçu), Luiz Suzuke (PT), ficou sabendo que Luiz Inácio Lula da Silva, líder máximo de seu partido, estaria visitando o Paraná, na semana passada, da mesma forma que a maioria dos paranaenses: pela imprensa. E ele não foi o único. A Caravana da Agricultura Familiar pelo Sul do País, da qual Lula participou, não passou por nenhum dos dez municípios paranaenses administrados por petistas.
Ao menos no Paraná, tanto Lula quanto o PT tentaram despolitizar ao máximo a caravana, iniciada em 25 de julho, no Rio Grande do Sul, e concluída na última quinta-feira, em Chapecó (SC), depois de permanecer três dias no Estado. Essa etapa foi acompanhada pela reportagem da Folha. Além das prefeituras petistas do Paraná, em todo o percurso Lula não visitou sequer um acampamento de sem-terra ou assentamento de ex-integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O MST vive uma das piores crises de popularidade e aceitação pela opinião pública.
Mesmo em franca campanha à Presidência da República e líder em todas as pesquisas, Lula tentou negar, a todo custo, que é candidato. Só admitiu isso num discurso para 400 empresários que, na quarta-feira, lotaram o Santa Fé Clube de Campo, o mais sofisticado de Francisco Beltrão, para almoçar com o petista. Mesmo assim, porque tropeçou na língua e confessou, sem querer, que está disposto a entrar em sua quarta disputa presidencial.
Ao responder à pergunta de um empresário, sobre o que faria em relação ao Simples (imposto unificado, para beneficiar às micro e pequenas empresas) caso chegasse à Presidência, Lula disse que os políticos precisam de toda a sociedade, inclusive dos empresários, para resolver os problemas econômicos. Em seguida, emendou: Não sou candidato a Deus. Sou candidato... Sou candidato a presidente da República. Depois, afirmou que havia respondido apenas em tese e disse que o PT só vai definir o nome do candidato em março do próximo ano.
Com a caravana de Lula passando longe de Medianeira município agrícola do extremo-oeste do Estado , Suzuke foi obrigado a viajar a Francisco Beltrão para se encontrar com ele. E explicou o motivo de o líder passar longe das prefeituras administradas pelo PT no Estado: as melhores experiências de agricultura familiar ficam nas regiões Sul, Centro e Sudoeste.
Nessas regiões, o PT tem apenas uma prefeitura Rebouças (109 quilômetros ao norte de União da Vitória), município com 13,6 mil habitantes, também esquecido pela caravana. Desde o início deste ano, o PT governa dez dos 399 municípios do Estado. O número é pequeno, mas a representação eleitoral, não.
O partido detêm o poder nas três maiores cidades do Interior Londrina, Maringá e Ponta Grossa e governa 1,16 milhão de paranaenses. São 12% dos 9,55 milhões de habitantes do Estado. As outras prefeituras petistas são Porecatu, Sarandi, Santo Antônio do Paraíso, Vera Cruz do Oeste e Serranópolis do Iguaçu.
Dos quatro municípios visitados por Lula no Paraná, dois são administrados pelo PSDB (Guarapuava e Pinhão), um pelo PPB (Francisco Beltrão) e um pelo PTB (São Mateus do Sul). Com exceção deste último, os prefeitos receberam Lula e sua caravana. É uma personalidade até internacional. Para o nosso município, é uma satisfação recebê-lo, justificou o prefeito de Pinhão (40 quilômetros ao sul de Guarapuava), Osvaldo Lupepsa (PSDB), ignorando as divergências nacionais entre petistas e tucanos.
Em Pinhão um dos municípios mais pobres do Paraná, com 28,5 mil habitantes o PSDB governa pelo segundo mandato coligado com o PT. Um dos nove secretários municipais é do partido.
A explicação de Lula para a despolitização de sua passagem pelo Estado foi ter participado da Caravana da Agricultura Familiar como convidado. O roteiro foi organizado pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar no Sul do Brasil (Fetraf), entidade criada em março e ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT).
A caravana é da Fetraf e não minha, afirmou Lula, para enfatizar que as escolha de propriedades rurais e programas visitados foi técnica. Ele também negou que esteja tentando se distanciar do MST. Meu compromisso com a reforma agrária continua inabalável. Até anunciou que fará uma nova caravana rural, pelo semi-árido nordestino, em companhia de lideranças do MST.
Segundo Lula, o incentivo à agricultura nas pequenas propriedades é o principal meio de se evitar o aumento do número de sem-terra no País. Todo assentado vira um agricultor familiar e, por outro lado, se o governo não apoiar o homem do campo, milhões desses poderão virar sem-terra.


