Lula desfaz boatos e defende José Dirceu
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2004
Agência Estado 
Genebra - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ''negou categoricamente'' ontem que o ministro da Casa Civil, José Dirceu, esteja exorbitando em suas funções e assumindo atitudes típicas de um primeiro-ministro de regime parlamentarista. Não faz sentido, também, a idéia de que em sua volta ao Brasil o presidente pretenda ''enquadrar'' Dirceu por causa de seu estilo ''gerentão''. A reação do presidente foi transmitida ontem à noite, em Genebra, na Suíça, depois dos vários compromissos de Lula, pelo secretário de Imprensa da Presidência, Ricardo Kotscho.
Segundo o secretário, Lula disse estar ''muito satisfeito'' com o comportamento de Dirceu e riu ao ser informado de notícias publicadas ontem na imprensa brasileira a respeito do assunto. O ministro está fazendo tudo ''exatamente como combinado'' com Lula antes de o presidente deixar o Brasil para suas viagens à Índia e Suíça, concluiu Kotscho, acrescentando que o presidente vem mantendo ''contatos frequentes'' por telefone com o ministro-chefe da Casa Civil. Lula ainda teria falado por várias oportunidades, também, com o vice-presidente, José Alencar. Em uma dessas conversas, teria tocado no assunto dos assassinatos dos fiscais do Ministério do Trabalho.
Lula e sua comitiva de mais de 30 pessoas chegam ao Brasil amanhã depois de um vasto programa no exterior. Hoje ele se reúne com o presidente da França, Jacques Chirac e com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan. O objetivo da reunião é o de debater as possibilidades da criação de um mecanismo que possa financiar a luta contra a fome no mundo. O presidente também se reúne com o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, para promover a candidatura do Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos de 2012.
Em Brasília, a primeira reunião do Conselho Político do governo depois da reforma ministerial, que seria realizada hoje, sob o comando do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, foi adiada para segunda-feira, em duas etapas. De manhã, só estarão presentes os que integram o conselho original - Dirceu, Antonio Palocci (Fazenda), Luiz Dulci (Secretaria-Geral) e Luiz Gushiken (Comunicação de Governo). À tarde, já com a participação de Lula, entram também os ministros Jaques Wagner (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social) e Aldo Rebelo (Coordenação Política), os dois novatos.
Essa reunião foi adiada por causa de agenda: Dulci estaria fora de Brasília, para tratamento médico, e Antonio Palocci não conseguiria retornar a tempo de Genebra. Mas em outros ministérios cujos titulares participam do Conselho Político a informação era diferente: Wagner e Rebelo ainda não teriam tomado pé da situação de suas pastas.


