Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou ontem a possibilidade de o governo federal renegociar as dívidas dos Estados e municípios com a União. ''Podem esquecer suas reivindicações. Não há dentro do governo renegociação de dívida'', disse, durante café da manhã com a imprensa, no Planalto, ao informar que não tratou desse assunto com o prefeito eleito de São Paulo, José Serra (PSDB).
Mas Lula afirmou que a capital paulista precisa ser olhada ''com carinho diferente'' porque abriga cidadãos de todo o País, e não apenas paulistas. Em pelo menos duas oportunidades da conversa, ele desvinculou qualquer ação da administração federal às eleições. Primeiro, afirmou que, em hipótese alguma, mexeria na taxa de juros para ganhar a eleição, ao lembrar que aumentaram 15 dias antes das eleições municipais e que, nem por isso a popularidade dele caiu. Depois, ao comemorar a aprovação do Projeto das Parcerias Público-Privadas (PPP) na Câmara, na noite do dia 22, e ressaltar o benefício da proposta para o Brasil: ''Só pode pensar que foi em benefício do governo os que só pensam na eleição.''
Ao comentar a tentativa de os governadores receberem as compensações pelas perdas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) com exportação, o presidente, depois de acentuar que o assuntos era discutido com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, fez uma defesa veemente da reforma tributária, após afirmar que não se queixou do caixa que recebeu. Para Lula, há uma questão séria a ser resolvida: a dificuldade do ICMS. ''Eu acho que, votando, melhora para os Estados, que poderão arrecadar até 10% a mais do que arrecadam hoje'', afirmou, ao salientar sempre tem algum dos 27 Estados ''implicando'' com benefícios que receberá.''
Lula pediu que todos aproveitassem esse momento natalino para uma reflexão e lembrou que ele mesmo tem de refletir para tomar atitudes. ''Tem um tempo na nossa vida que, quando não tem muita responsabilidade, tem político que pega o barbeador, pensa que é microfone e começa a dar declarações'', disse ele, ao comentar quem, às vezes, se surpreende com coisas que a imprensa destaca e que ele não deu a menor importância. ''Quando você é presidente, tudo que você fala, pesa, para o bem, e para o mal. Portanto, tem de ter cuidado''

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