O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, desautorizou ontem a manifestação promovida no Rio de Janeiro pelo deputado federal Milton Temer (PT-RJ), que defendeu a renúncia do presidente Fernando Henrique. ‘‘O Temer não representa nenhuma instância partidária’’, afirmou Lula. Ele lembrou que o diretório nacional do partido rejeitou a tese de defesa da renúncia de FHC.
Lula voltou a fazer duras críticas à política econômica do governo e acusou Fernando Henrique de ter cometido um ‘‘estelionato eleitoral’’. Para Lula, o presidente tem ‘‘pedigree de incompetência’’. ‘‘Não é possível que o governo tenha maioria no Congresso e chegue a uma crise de ingovernabilidade’’, afirmou. ‘‘Se chegarmos a uma crise, é por pura incompetência.’’
Na opinião de Lula, o povo brasileiro perdeu a paciência com a política econômica do governo federal. ‘‘Há muito tempo que eu não via o povo tão inconformado’’, observou. ‘‘A casa está caindo.’’
O presidente nacional do PT e deputado, José Dirceu (SP), criticou a elevação da taxa de juros para 45% ao ano e o aumento dos combustíveis. ‘‘Isso vai elevar a inflação e causar uma recessão muito mais profunda’’, avaliou. ‘‘O governo caminha para uma asfixia da economia e uma recessão sem precedente.’’ Lula e Dirceu voltaram a defender a redução das taxas de juros e a centralização do câmbio.
Na opinião de Dirceu, as críticas do presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), às imposições do Fundo Monetário Internacional (FMI) na política econômica antecipam uma ‘‘crise de legitimidade de FHC’’. ‘‘As oposições tem de manter uma posição de intransigência frente ao governo federal.’’
Lula também respondeu ontem às críticas feitas pelo presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, ao partido. ‘‘O PT não tem de provar a ninguém que é oposição a esse governo’’, afirmou Lula. Segundo as declarações de Brizola, o PT teria ‘‘amaciado’’ em relação ao governo federal. ‘‘Um partido calejado e maduro como o PT não pode sair dando murro em ponta de faca’’, sustentou Lula, ao defender um esforço conjunto dos partidos de oposição na mobilização da sociedade contra a política econômica do governo federal.

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