Brasília - Ao lado do candidato do PSB ao governo de Pernambuco, Eduardo Campos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou ontem no Palácio do Planalto três decretos presidenciais que desapropriam 23 imóveis rurais na Zona da Mata Pernambucana - no chamado complexo da usina do Catente. Apesar do ato estar na agenda de presidente, o clima eleitoral acabou predominando na cerimônia.
Lula voltou a criticar governos anteriores que, segundo o presidente, não priorizaram a população carente do país. ''Em outubro de 2003 descobrimos que muita gente no Banco do Brasil tinha perdido o hábito de emprestar dinheiro para os pequenos. A prioridade era para aqueles que pegavam empréstimos longos'', disse Lula.
O presidente também acusou de ''megalomania'' governantes anteriores que, segundo Lula, tomavam empréstimos bancários de alto valor mas não priorizavam ações para os pobres. Lula usou como exemplo a usina do Catente, que de acordo com o presidente era estimada em R$ 60 milhões, enquanto no passado o governo federal negociou com o Banco do Brasil recursos da ordem de R$ 400 milhões para a usina.
''Como essa usina conseguiu um empréstimo oito vezes superior ao capital da empresa? A diferença era de tal magnitude que voltei sonhando que a gente pudesse resolver o problema que agora resolvemos'', afirmou.
O presidente admitiu que preferia assinar os decretos ''depois das eleições'' para poder visitar pessoalmente o investimento, mas Campos negou que a ação tenha fins eleitoreiros. ''Isso é uma luta secular que custou a vida de muitos trabalhadores desde jovens. É uma coisa muito mais séria que qualquer processo eleitoral'', disse.
A usina do Catente é considerada um dos locais considerados ''emblemáticos'' pelo governo para reforma agrária no país. Desde 1993, quando a empresa demitiu mais de 2.000 trabalhadores, a falência da usina foi decretada e os trabalhadores conseguiram na Justiça manter o investimento ativo.
Durante a cerimônia, Bruno Ribeiro, advogado de parte dos trabalhadores da usina, pediu a palavra para fazer campanha em favor de Lula e Campos. ''O Brasil era assim, vem mudando na mão do senhor e ao que tudo indica vai mudar mais ainda. Teremos um governador ajudando a gente, não é Eduardo?''

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