Lula desafia oposição a investigar governo
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terça-feira, 21 de junho de 2005
Agência Estado 
Luziânia, GO - Numa reação dura aos que o comparam ao ex-presidente Fernando Collor de Mello, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que é a pessoa com mais ''autoridade moral e ética'' para combater a corrupção e mudar as instituições e comportamentos. Ao discursar de improviso e por cerca de 50 minutos na abertura do 1º Congresso da União Nacional de Cooperativas da Agricultura Familiar, em Luziânia, cidade goiana a 65 quilômetros de Brasília, ele desafiou a oposição - que estaria com ''medo'' da reeleição - a criar quantas CPIs quiser para investigar o Palácio do Planalto.
''Quem tiver culpa pagará pelo erro que cometeu, quem não tiver será absolvido. É assim que funciona a democracia'', disse. ''O que não dá é para a gente ficar sempre assistindo coisas que não condizem com a realidade.'' Lula disse que, ao contrário do ''caçador de marajás'', como Collor foi vendido pelos marqueteiros na eleição de 1989, o governo não faz bravatas e já prendeu 1.290 pessoas por corrupção, sendo 129 policiais.
Ponderou que muitos acabam soltos pela Justiça. ''Todas as denúncias pertinentes ao governo serão investigadas, contra quem quer que seja, sem bravatas'', ressaltou. Sob aplausos de 975 representantes de sindicatos e cooperativas agrícolas, o presidente lembrou da educação que recebeu dos pais analfabetos e admitiu que, na oposição, já fez ''muita'' bravata.
''Vergonha na cara a gente aprende é dentro de casa'', disse. ''Vocês nunca vão me ver nervoso e fazendo bravata, agora sou presidente.'' Ele reclamou que o governo nunca é associado pela imprensa às grandes operações da Polícia Federal (PF), como a Vampiro, Anaconda e Curupira.
''Vamos investigar tantas quantas aparecerem, o que não pode é o governo ficar correndo atrás de denúncia vazia'', afirmou. Ao comentar indiretamente o suposto esquema do ''mensalão'' - denúncia de que o PT pagava deputados do PP e do PL em troca de apoio ao governo - Lula disse que a denúncia é um ''problema'' do Congresso. ''Ali tem 513 deputados e 81 senadores, eles que criem mecanismos de auto-investigação, não tem como o Executivo fiscalizar'', afirmou. ''O que não pode é, por conta de insinuações e ilações, deixar de votar as coisas que o Brasil tem interesse.''
Lula disse que o governo é ágil na apuração das denúncias, argumentando que a PF abriu inquérito para investigar corrupção nos Correios no mesmo sábado em que o assunto foi noticiado. ''As pessoas tinham o hábito de fazer denúncia de corrupção que morria no dia seguinte'', afirmou.
Lula disse que não enviou projeto para aumentar o salário do presidente ou garantir a ''trieleição''. ''Os projetos que estão no Congresso são de interesse deste País, de 180 milhões de brasileiros'', disse. E fez um apelo aos deputados e senadores que estabeleçam um horário para a CPI dos Correios, para evitar a paralisação da pauta. ''Não podemos permitir que a CPI crie qualquer embaraço e o Congresso não funcione.''


