Lula desafia oposição a cortar gastos públicos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 16 de outubro de 2006
Lourival Sant'ana<br> Agência Estado 
São Paulo - O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), desafiou a oposição a encontrar o que cortar de gastos públicos durante no programa ''Roda Viva'', da TV Cultura, que foi gravado ontem na Biblioteca do Palácio da Alvorada. Segundo Lula, não há gastos públicos a serem cortados. Lula disse que vai garantir o crescimento econômico reduzindo os juros no próximo governo, mas não cortando gastos. Lula usou uma imagem figurativa de que não é o tipo de pai de família que quando precisa de dinheiro vende a geladeira, numa crítica à privatização feita no governo anterior.
Lula negou também que tenha aumentado impostos e disse que, ao contrário, reduziu a carga tributária e aumentou a arrecadação, porque a tornou a máquina do ''Fisco'' mais eficiente. O candidato petista disse que, a cada 10 ou 15 anos, a Previdência precisa ser repensada, não só no Brasil mas no mundo todo.
Explicou que o governo dele tem uma dívida com a sociedade por ter usado o dinheiro do Fust e Funtel para garantir superávit primário, em vez de destinar os recursos para os seus fins, que são investir em computador nas escolas. Mas prometeu que, se for eleito, instalará computador em todas as escolas e que cada professor vai ter um laptop.
Sobre denúncias de corrupção, Lula disse que quando surgiu o escândalo do dossiê Vedoin, chamou o então presidente do PT, Ricardo Berzoini, e perguntou: ''Ricardo, quem foi o autor dessa idéia, dessa sandice?'' O presidente do PT negou. Então, Lula disse que incumbiu Berzoini de descobrir ''quem teve essa idéia e quem fez isso''. Depois, passaram-se alguns dias e Berzoini não respondeu, o que o levou a deixar a presidência do PT.
Pela primeira vez, o candidato falou em público sobre a questão do envolvimento da empresa do seu filho, Fábio Luiz Lula da Silva, com o Grupo Telemar. Segundo Lula, ninguém está acima da lei e todo mundo tem de ser investigado quando surgem denúncias.
Sobre o escândalo de corrupção e o suposto envolvimento de ministros do governo, o presidente e candidato do PT à reeleição Lula ponderou que formar a equipe é ''como escalar uma seleção''. Segundo ele, a escolha se dá a partir das qualidades que as pessoas tinham mostrado até então. ''Na medida em que a opinião pública julgou que José Dirceu e Antonio Palocci não podiam mais ficar nos cargos, eles foram afastados'', disse.
Afirmou ainda que as investigações continuam e que o papel do presidente é garantir que o Ministério Público e a Polícia Federal tenham liberdade total para desempenharem bem suas funções. E reiterou que não sabe a origem dos R$ 1,750 milhão usados na suposta compra do dossiê Vedoin.
Ele reafirmou que não teria privatizado as empresas de telefonia, mas elogiou o papel da Embratel, quando estatal, e voltou acusar o PSDB de ''só saber privatizar''. Defendeu ainda a reforma política, afirmando ser a favor do voto distrital misto, e também que o orçamento seja cumprido na íntegra.


