Marcos NegriniDureza e carinhoLula segura criança durante encontro com os sem-terra: críticas ao gastos do governo em publicidadeO pré-candidato do PT-PDT à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse ontem em Curitiba que a aproximação do PT com o PSDB do presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias, no Paraná, só deve avançar caso os tucanos locais cortem os laços políticos com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Lula adotou o mesmo discurso do presidente nacional do partido, José Dirceu. ‘‘Acho difícil esta união, a menos que o PSDB resolva romper com o governo federal’’, afirmou.
Lula fez conexão em Curitiba. Ele passou o resto do dia em Querência do Norte, região Noroeste, acompanhando um encontro promovido pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O pré-candidato não quis se aprofundar na questão do PT no Paraná, que, ao contrário da orientação nacional, está em contatos avançados com o PSDB. Os petistas ensaiam para 6 de fevereiro, em Londrina, uma aparição em público junto com o PMDB, PC do B, PCB, PPS, PPB, PSDC, PRTB e PSN.
‘‘Quando houver a convenção estadual aqui, eu venho e dou a minha opinião oficial’’, desconversou Lula. O pré-candidato do PT-PDT à presidência sinalizou ainda que a idéia do PT do Paraná, de dividir espaço político com uma sigla que esteja, no cenário nacional, em outro palanque, não é bem vista pela cúpula. ‘‘Eu não tenho esta cultura de subir em dois palanques’’, afirmou.
Lula foi claro quanto à postura de oposição ao governo Jaime Lerner (PFL) que o PT deve assumir durante o processo eleitoral. ‘‘A minha campanha é pela estabilidade do País. Não esse modelo adotado pelos governadores do Paraná e do Rio Grande do Sul, Antonio Britto (PMDB), emendou. Para ele, a política de incentivo às montadoras é prejudicial pois não garante a permanência das empresas. ‘‘Foram dados R$ 10 milhões para a Detroit (Diesel Cooperation), sem tempo mínimo de instalação’’, comentou.
Para Lula, o incentivo às montadoras dado pelo governo Lerner é ‘‘uma loucura’’. ‘‘Não se sabe se vai produzir emprego nem as máquinas’’, ponderou Lula, que voltou a criticar também a reeleição de Fernando Henrique. Ele repetiu em Curitiba a mesma comparação do início da semana. ‘‘O governo federal é o Titanic’’, avaliou, numa referência ao filme do diretor James Cameron, em cartaz nos cinemas do Brasil. ‘‘O FHC é o comandante que priorizou a distribuição de coletes salva-vidas para os tripulantes de primeira classe’’, declarou.
Segundo Lula, o processo eleitoral de 98 terá uma novidade no cenário nacional, que é a união geral das esquerdas. ‘‘Estamos unidos em nome de um projeto político para o Brasil. O Ciro Gomes (PPS) e o Roberto Freire (PPS) nós nem consideramos como de esquerda. Por isso é que não estão conosco’’, afirmou.

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