Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que são ''infinitos'' os problemas e os pedidos das pessoas. No desabafo feito durante solenidade no Palácio do Planalto, ele afirmou que o País vive um ''momento especial'', mas quanto mais o povo aprende a gostar de uma coisa, mais ele quer algo melhor. ''(O governo) pode fazer um milhão de casas que o povo vai pedir dois milhões, e pede com razão, isso é da natureza humana'', avaliou. ''Se comer uma vez, vai querer comer duas, se comer duas, vai querer três.''
Ao informar que anunciará em 60 dias o início das obras da Ferrovia Transnordestina, Lula voltou a criticar parlamentares da região Nordeste que só votam projetos de interesse do Sul e do Sudeste e insistiu que ''não é a solução que resolve os problemas de um governante''. ''Obviamente, os problemas e as coisas que nós temos de fazer são infinitos'', disse. ''Quanto mais você fizer, mais o povo vai querer'', salientou. Lula também demonstrou otimismo ao dizer que o País vive um ''momento especial'' e que ''depende exclusivamente da imagem e do jeito que a gente pensa e quer o Brasil''.
Ele observou que as regiões Sul e Sudeste sempre tiveram mais incentivos de desenvolvimento que o Nordeste. Lula avaliou que a produção de biodiesel, combustível produzido a partir de vegetais, a Transnordestina e as obras de transposição das águas do Rio São Francisco vão mudar a estrutura social e econômica do semi-árido.
O presidente ainda defendeu a Zona Franca de Manaus, alvo de críticas de setores empresariais do Sudeste. ''É muito fácil ficar das hostes de Brasília fazendo julgamentos sem muitas vezes colocar os pés (em determinadas regiões do País)'', disse.

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