Brasília- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem uma defesa enfática das reformas tributária e da Previdência, condenou privilégios, disse que não fugirá de ''comprar briga'' com companheiros sindicalistas e anunciou que pretende enviar as duas propostas ao Congresso na próxima semana. O governo vai apresentar a redação final de suas propostas na quarta-feira, em reunião do presidente com os 27 governadores.
''Se nós conseguirmos este ano aprovar estas reformas, acho que teremos avançado dez anos em poucos meses'', discursou Lula, na reunião em que o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social fechou as recomendações para a reforma previdenciária, no Palácio do Planalto.
A expectativa é que os parlamentares aprovem as duas emendas entre agosto e setembro, apesar das ''duras'' discussões que já prevê sobre o tema. O presidente disse que o objetivo das reformas é promover a ''justiça social''. E, se antecipando às cobranças que certamente virão de parte de seu eleitorado, em especial servidores públicos e sindicalistas contrários a mudanças na Previdência, afirmou ser preciso achar um ponto de equilíbrio para acabar com ''privilégios'' e melhorar as condições de vida da maioria da população.
''Estou muito à vontade, primeiro porque grande parte dessa gente que trabalha no setor público e desses milhões de brasileiros são pessoas que eu tenho certeza que votaram em mim. Portanto, eu poderia fazer o que muita gente já fez na história deste País: empurrar com a barriga'', discursou Lula. ''Afinal de contas, o mandato é quatro anos. Para quê vou me desgastar com companheiros que depois vou ter que conviver, vou encontrar num bar, numa assembléia, numa festa? Para quê ficar arrumando pontos de atrito com quem me apoiou?'', disse, afirmando estar convencido de que é preciso encontrar um ponto equilíbrio nas aposentadorias.
Lula não escondeu o espanto ao contar ter visto uma lista de aposentados e pensionistas que ganham mais de R$ 17 mil por mês, alguns deles receberam R$ 53 mil em dezembro. ''Obviamente que a maioria ganha muito pouco e é para essa maioria que a gente precisa ter uma política justa'', discursou. ''Mas a gente não conseguirá fazer a justiça para os muitos que nós queremos fazer se a gente não contiver os privilégios que poucos conseguiram ter neste País.''

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