Lula defende reestatização de ferrovia
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quarta-feira, 26 de agosto de 1998
Cláudia Dianni Agência Estado 
O candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, foi buscar em Corumbá (MS), um exemplo para reforçar seus argumentos contra a política de privatização do governo federal. Ontem, em visita a Ferrovia Novoeste, privatizada em junho de 1996, Lula prometeu reestatizar a empresa, caso vença a eleição, se o atual governo não forçar a empresa a cumprir as metas do acordo de privatização. Esse governo não tem capacidade punitiva e de fiscalização, afirmou.
Até agora, a Novoeste não cumpriu nenhuma das metas a que se propôs, segundo sindicalistas. Para o petista, se os empresários não cumprirem as metas, os funcionários da ferrovia podem e devem exigir do presidente Fernando Henrique Cardoso a retomada da empresa. Em seu discurso para os funcionários da ferrovia, Lula comparou a situação da ferrovia com o que poderá acontecer com as empresas de telecomunicações, segundo suas previsões. Se o governo não consegue fiscalizar ferrovia vendida para empresa nacional, como vai fiscalizar empresas, cujas sedes estão na Espanha, em Portugal, na Itália?
Segundo Lula, mais grave do que o não-cumprimento das metas da empresa é a incapacidade do governo de fazer cumprir os acordos. O governo não tem autoridade positiva. Ele disse também que os trabalhadores devem exigir do governo a retomada da empresa, independentemente da sua vitória. Se até o dia 1º de janeiro o governo não fizer cumprir o acordo, vou ganhar essa eleição e essa empresa não vai mais administrar a ferrovia.
De acordo com informações do Sindicato dos Trabalhadores de Empresas Ferroviárias de Bauru e Mato Grosso do Sul, um dos compromissos da Novoeste era atingir o transporte de 2,1 milhões de toneladas por quilômetro no primeiro ano, e aumentar essa meta para 2,2 milhões no segundo ano.
O resultado do primeiro ano de administração da ferrovia, porém, foi o transporte de 1,570 milhão de toneladas. Além disso, uma das exigências da empresa vencedora da licitação era não comprar uma ferrovia com mais de 1,8 mil funcionários. Para atender à exigência da empresa, o governo promoveu um enxugamento que reduziu o quadro de funcionários de 4,5 mil para 1,8 mil. Agora o número de funcionários não chega a 600 e a empresa está estudando a redução dos direitos da categoria, disse o dirigente sindical Anésio Guilherme da Fonseca.
Os sindicalistas reclamam que a média de acidentes de trabalho aumentou de 30 por mês para 34, depois da privatização, e que a empresa também não conseguiu aumentar a velocidade máxima da malha que era de 40 km/hora, como havia acordado.
Sobre a queda na Bolsa de Valores ontem de manhã, Lula criticou o que chamou de tripé da política econômica do governo federal. Também criticou a fala de Antônio Carlos Magalhães anteontem no programa eleitoral.
Mas, para o petista, o Banco Central não divulga todas as informações relativas aos indicadores econômicos. A informação, segundo o próprio governo, é a alma da política econômica, afirmou. Nós não recebemos os números corretos, reclamou.


