O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu ontem em Curitiba uma ‘‘reação dura’’ dos candidatos do partido que estão disputando o segundo turno em 16 cidades brasileiras, contra o ‘‘jogo rasteiro dos adversários’’. ‘‘Pelo que eu já vi em Belém, Recife, São Paulo e Porto Alegre, acho que temos que reagir, e reagir duro. Um partido com as características do PT não pode sair com sua imagem manchada de um processo eleitoral onde corruptos acusam os honestos’’, afirmou Lula.
Ontem Lula passou por Curitiba para gravar sua participação nos últimos programas do horário eleitoral do candidato a prefeito Ângelo Vanhoni (PT). Antes de viajar para Recife (PE), às 22 horas, o presidente do PT participaria de um grande comício no centro da cidade. Lula afirmou que a ‘‘novidade’’ no segundo turno foi o ‘‘baixo nível’’, a ‘‘falta de ética’’ e o ‘‘discurso preconceituoso’’ que os adversários adotaram contra o PT.
‘‘Se tem uma coisa que um militante de esquerda não admite é não responder bordoada. Em São Paulo, por exemplo, a Marta Suplicy começou a bater duro contra o Maluf (Paulo Maluf, candidato do PPB) no programa eleitoral de sábado e o repetiu na segunda-feira; isso talvez coloque o Maluf em seu devido lugar’’, justificou. Lula alertou aos candidatos do partido que é preciso ser ‘‘contundente’’ no momento em que a situação exige um comportamento nesse sentido.
Ele também afirmou que não se sente incomodado quando o PFL acusa o PT de ‘‘baderneiro’’, ou vincula o partido ao MST. ‘‘O que eles entendem por baderna nós entendemos por democracia, por direito a livre manifestação. O MST é autônomo, não pede bênção ao PT para tomar as suas decisões, e nem nós pedimos a eles.’’
Lula não poupou das críticas o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen, por fazer ‘‘terrorismo’’ contra os candidatos do PT. ‘‘Ele não tem credencial, nem ética nem moral, para andar por esse País falando mal do PT. A gente não pode permitir em nenhum momento, que essa gente que governou cidades e Estados no País inteiro como se fossem verdadeiros gângsteres, apareçam agora como anjos da guarda, os defensores da democracia’’, atacou.
Lula tentou minimizar o efeito das pesquisas – que, durante essa semana, apontaram queda na preferência pelos candidatos petistas, ou de seus aliados – para a eleição de domingo. O presidente de honra do PT considera que esse resultado ‘‘é bom’’ porque vai ‘‘acordar’’ a militância do PT. ‘‘Se pesquisa fosse esse perfeccionismo que alguém imagina, não precisava fazer eleição. Pesquisa é um referencial que você deve seguir, para continuar ou mudar. Eleição não se ganha com pesquisa, ganha-se nas ruas.’’
Na opinião do presidenciável, a disputa pelas prefeituras de São Paulo, Maringá e Londrina está ‘‘mais ou menos tranquila’’; e ‘‘muito acirrada’’, nas cidades paulistas de Guarulhos, Santos, Mauá, e na capital do Pará, Belém. Sobre a eleição em Curitiba, Lula disse que está ‘‘otimista’’ para a vitória de Ângelo Vanhoni. ‘‘O útimo debate (na Rede Globo, amanhã, às 22h45) é muito importante, porque vai fazer com que a militância que apóia a nossa candidatura saia para a rua para ganhar as eleições’’, disse Lula.