Lula defende Palocci em prestação de contas
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2003
Agência Folha 
Brasília - Ao fazer o balanço de um ano do seu governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma defesa veemente da política econômica e do seu condutor, o ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda). Depois de elogiar Palocci, Lula disse que a política de juros e aperto fiscal é de todo o governo. ''Não tem política do Palocci, tem política de governo. A política econômica é a que nós, do governo, entendemos que era possível fazer'', disse.
Lula reconheceu que seu ministro da Fazenda é o principal alvo de pressões ao dizer que ele é ''a figura mais citada por todos aqueles que precisam de dinheiro'' e que ''não foram poucos os momentos em que os companheiros ficavam perguntando se o companheiro Palocci não estava errando''.
O próprio presidente, porém, fez questão de dizer que o ministro Palocci teve a ''maestria'' de não ''ceder a qualquer pressão que colocasse em risco a estratégia de construir um país com base mais sólida''.
Às vésperas de uma reforma ministerial, Lula elogiou apenas outros 4 dos seus 35 ministros: José Dirceu (Casa Civil), Celso Amorim (Relações Exteriores), Roberto Rodrigues (Agricultura) e Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento). Os três últimos, nenhum deles petista, foram chamados de ''mascates''.
Criticado por ter criado novos ministérios, Lula defendeu o tamanho da sua equipe: ''Tem muita gente que fala que tem muito ministério. Olha o pouquinho de ministério que tem para um país deste tamanho'', disse ele, olhando para seus 35 ministros, reunidos no canto oposto.
O ato de prestação de contas de Lula reuniu cerca de 500 convidados no salão nobre do Palácio do Planalto, entre eles congressistas, prefeitos, sindicalistas e membros dos conselhos de Desenvolvimento Econômico e Social e Segurança Alimentar.
Em uma hora e meia de discurso, Lula fez uma avaliação positiva de todas as áreas do governo, citando dezenas de programas de praticamente todos os ministérios. Deixou de citar, entretanto, a política de ciência e tecnologia, que está a cargo do ministro Roberto Amaral, que é candidato a deixar o cargo na reforma ministerial.
Ao elogiar o ministro José Dirceu pela articulação política para aprovar as reformas, o presidente chegou a dizer que que não conhecia ''todos os acordos que ele faz no Congresso''.
Lula afirmou que neste ano foram plantadas as sementes e que a colheita começará no ano que vem. Ele repetiu que ''o tempo da incerteza passou'' e que ''o país está pronto para crescer''.
Ao enumerar as dificuldades iniciais do governo e os ''sacrifícios'' impostos à população, Lula citou a herança que recebeu do governo anterior, sem, entretanto, fazer críticas diretas ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.


