Brasília - Depois de ouvir críticas de sindicalistas às mudanças nas legislações trabalhista e sindical, durante a abertura do 16º Congresso Continental da CIOSL-Orit (Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres Organização Regional Interamericana de Trabalhadores), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma veemente defesa das duas propostas. Lula alertou que o sindicalismo hoje tem de se adaptar às novas realidades do mundo do trabalho, estar mais conectado com o que acontece nos países, não se limitando a discutir reivindicações por melhores salários e fazer críticas ao governo. ''Para isso, não precisa de sindicato, o povo faz em casa'', afirmou o presidente, ao avisar que, quando deixar o governo irá participar de assembléias no sindicato dos metalúrgicos ''porque não sou presidente, estou presidente e eu sou mesmo é dirigente sindical''.
Ao discursar por mais de uma hora, de improviso, Lula declarou que ''a reforma sindical precisa ser feita, assim como é preciso discutir a reforma trabalhista''. E acrescentou: ''discutir a reforma trabalhista, não é tirar direito dos trabalhadores, é adequar a realidade do mundo, hoje, às novas condições que estão colocadas''. O presidente defendeu um novo tipo de sindicalismo, diferente daquele que praticava na década de 70.
Lula disse que os sindicalistas têm de ser, inclusive, mais inteligentes e mais propositivos do que ele mesmo foi como sindicalista na década de 70, argumentando que naquela época de regime fechado era mais fácil fazer críticas. ''Se o papel do sindicalismo é apenas fazer pauta de reivindicação por aumento salarial uma vez por ano e reclamar do governo três vezes por ano, não precisa de sindicato. Isso o povo faz em casa. É preciso ter mais inserção e informação do que acontece no país e no mundo. Se fizerem em 2005 o que eu fiz em 70, não dará certo. Ele tem que ser mais criativo. Os sindicalistas de hoje têm que ser mais inteligentes, mais propositivos. Isso não é nenhum demérito a minha pessoa, mas naquela época era mais fácil criticar o que se chamava de patronal. Hoje, se o movimento sindical não for propositivo, não tiver relacionamento muito forte com o Congresso, com os governos, as coisas vão acontecendo e a gente não vai percebendo as mudanças no nosso meio'', declarou Lula.
Na avaliação do presidente, hoje o sindicato tem de ter vários papéis, se fazendo presente na discussão das políticas públicas em todos os níveis. Segundo ele, no seu tempo, era apenas ir ''à porta da fábrica e fazer discurso''.
Na cerimônia, Lula usou o boné com o símbolo do Congresso e assinou decreto de concessão de um canal de TV educativa para a CUT, que vai funcionar na região do ABC paulista. Lula advertiu que não se pode permitir que este tipo de canal, concedido para beneficiar os trabalhadores, possa ser vendido para a Fundação Sociedade Comunicação Cultura e Trabalho. Luiz Marinho é o presidente da Fundação, que é vinculada à CUT e vai funcionar em Mogi das Cruzes (SP).

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