Brasília - Ao sancionar ontem projeto que altera o plano de carreira dos policiais militares e bombeiros do Distrito Federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a valorização dos salários das corporações pelos Estados. Segundo o presidente, a única forma de evitar que policiais se aliem ao crime organizado é proporcionar um vencimento capaz de garantir o sustento das famílias. ''Sabemos que tem duas coisas para garantir um bom policial: ser bem formado, com uma corporação bem estruturada, e ter sua profissão com a única fonte de renda para sustentar o seu. Se ele precisar fazer bico, já estamos correndo risco'', disse.
Diante de um ginásio lotado de policiais e em clima de festa, Lula lembrou que tem trabalhado com o ministro Tarso Genro (Justiça) e com o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), para negociar um melhoria nos salários dos policiais do Estado. A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) também discursou.
O presidente disse, no entanto, que os outros Estados não podem esperar o mesmo tratamento de Brasília - que com o novo plano de carreira terá um reajuste de até R$ 1.000 sobre o salário inicial de R$ 4.056. ''Vamos ter todos os Estados querendo o mesmo. Sei que muitos telefonaram para colegas de outros Estados, mas é importante levar em conta o poder do cofre do Estado.''
Lula defendeu uma mudança na jornada de trabalho dos servidores da área de segurança pública. ''Achar que um ser humano pode trabalhar 24 horas por dia sem dar uma cochiladinha é acreditar em Papai Noel. Vamos contratar mais gente, pagar melhor e o povo vai estar muito mais seguro porque vai saber que vai ter policial 24 horas nas ruas'', afirmou.
Pela proposta aprovado no Congresso, os militares passam a ganhar incentivos para o aperfeiçoamento educacional, com regras para promoção, incluindo cursos que devem ser realizados pela corporação e o tempo mínimo a ser cumprido em cada posto ou graduação. A lei sancionada também cria a Gratificação por Risco de Vida no valor de R$ 250 mensais em 2009, e sujeita a aumentos programados para elevar o benefício a R$ 1.000 até 2014. Também passa a ser exigido o diploma de nível superior para ingressar nas corporações.

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