Lula defende manutenção da política cambial
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segunda-feira, 02 de maio de 2005
Elizabeth Lopes<br>Agência Estado 
São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) eximiu ontem a equipe econômica de seu governo de qualquer responsabilidade pelo atual patamar do câmbio, que vem sendo alvo de críticas por alguns setores exportadores que o consideram baixo e prejudicial à competitividade dos produtos brasileiros no Exterior. Lula atribuiu a desvalorização do dólar a problemas da economia americana. ''Deveríamos fazer uma comitiva para se queixar do câmbio onde efetivamente há a razão da desvalorização do dólar, que não é no Brasil. O câmbio tem problema com a política americana e não é um problema para nós resolvermos do jeito que alguns imaginam'', destacou Lula.
As declarações do presidente foram feitas durante evento de comemoração da marca de 15 milhões de veículos produzidos pela Volkswagen do Brasil, ocorrido na manhã de ontem, em São Bernardo do Campo, na região do Grande ABC.
Além de pregar a manutenção da atual política cambial pelo seu governo, Lula disse que seu governo está construindo uma solidez de política econômica e de política de comércio exterior que lhe permite afirmar que não há nenhuma incompatibilidade entre o alto crescimento na política de exportação e o crescimento do mercado interno brasileiro. ''Mesmo com o câmbio da forma que está, salvo alguns setores da indústria brasileira, o restante (da indústria) continua produzindo e exportando bem e o resultado é nossa balança comercial'', disse.
No discurso que fez na Volkswagen, Lula pregou mais ousadia para o estabelecimento de acordos com União Européia e com os EUA. ''Temos que conquistar essa competitividade com produtos de mais qualidade e tecnologia, e não temos problemas em discutir uma política para dinamizar a indústria brasileira'', disse. Minutos antes, o presidente havia sido cobrado pelo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, José Lopes Feijóo, de uma política industrial para o setor.
Feijóo disse que os sindicalistas têm várias expectativas em relação ao governo do presidente Lula. ''Há coisas positivas, mas uma de nossas reivindicações é o cumprimento da meta de política industrial para o setor'', cobrou o sindicalista. Ao responder que seu governo não tem problemas em discutir política industrial, Lula lembrou que nos últimos vinte anos este assunto não foi discutido no Brasil, mas que o seu governo, desde o ano passado, está definindo as políticas que o Brasil necessita para ter um ciclo de crescimento duradouro. E profetizou: ''O Brasil vai se tornar a grande economia do século XXI.''
No discurso, Lula também afirmou que não é mais possível defender a atual estrutura sindical brasileira. Segundo ele, da forma que está, é uma cópia fiel da Carta del Lavoro, produzida pelo fascista ex-presidente italiano Benito Mussolini. ''As reformas são necessárias e espero que o movimento sindical me convoque para discutir as coisas que precisam ser feitas'', destacou.
Durante o evento da Volkswagen, Lula ouviu protestos dos trabalhadores da empresa que, através de faixas, cobravam a correção da tabela do Imposto de Renda e uma reforma sindical e trabalhista que preserve os direitos dos trabalhadores. Para responder aos protestos, o presidente disse que seu governo ajudou a consolidar o processo democrático o que permite, inclusive, aos trabalhadores levantarem faixas para serem vistas por todos.


