Lula defende integração para acabar com pobreza
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sexta-feira, 10 de novembro de 2006
Denise Chrispim Marin e Leonêncio Nossa 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu ontem que o Brasil e o Peru ''precisam de um Estado forte, um Estado indutor'' da economia e da integração sul-americana ''para acabar com a pobreza'' em ambos os países e no continente. Diante do presidente peruano, Alan García, no Palácio do Planalto, Lula enfatizou que ''não há saída individual para nenhum país da América do Sul'', mas acabou desafiado em seguida pelo visitante. ''Tome a bandeira da integração sul-americano e nós o respaldaremos'', declarou García, em seu discurso. ''O Peru vê o Brasil com admiração, nunca com temor'', completou.
Lula não escorregou nessa delicada provocação diplomática e refutou a mesma liderança que chegara a acalentar no início do primeiro mandato. ''Ninguém indica a 'autoliderança' de coisa nenhuma. Os que tentaram se auto-indicar, fracassaram. Ou seja, o líder de um processo é reconhecido (como tal pelos demais)'', rebateu Lula mais tarde. ''O que precisamos na América do Sul não é de um líder. É a compreensão coletiva de que não existe saída individual para nenhum país da América do Sul nesse mundo globalizado'', completou.
Ao clamar ontem pela liderança brasileira, o presidente do Peru salgou esse debate e esboçou sua aversão à possibilidade de Hugo Chávez, da Venezuela, impor-se na posição de líder regional. O momento escolhido por Garcia foi oportuno. No domingo, Lula embarca para Puerto Ordaz, na Venezuela, para reunir-se a seu companheiro Chávez.
Esta primeira viagem internacional de Lula depois de sua reeleição igualmente dará um sinal claro de seu interesse em manter a parceria estratégica com a Venezuela, especialmente nas áreas de infra-estrutura e de energia, e em reforçar sua tarefa de ''tourear'' o vizinho intempestivo por meio de uma influência ''moderadora'' sobre Chávez.
Ao rejeitar publicamente a liderança sul-americana, Lula também esquivou-se de interferir na crise diplomática entre a Venezuela e o Peru, que perdura desde abril passado. Essa crise foi provocada pela interferência de Chávez no processo eleitoral peruano, ao tomar partido da candidatura do oposicionista de esquerda, Ollanta Humala, e acusar García de ser ''um verdadeiro ladrão, irresponsável, demagogo e embusteiro''.
Lula e García participaram da cerimônia de assinatura de 11 documentos - a maioria deles, revisões de acordos firmados anteriormente. O principal deles prevê a cooperação na área de Defesa e na vigilância das zonas de fronteira, especialmente na Amazônia, e reitera o acesso de autoridades peruanas a informações do sistema brasileiro de vigilância da Amazônia.


