Lula defende estabilidade abrangente
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terça-feira, 14 de julho de 1998
France Presse 
O candidato do PT à presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva declarou, em entrevista concedida ontem em São Paulo ao jornal argentino Clarín, que a estabilidade brasileira deve ser preservada, mas que ela deve servir também para fortalecer o mercado interno, favorecer a produção nacional e criar empregos, criticando o fato de que o presidente FHC só defende a estabilidade monetária.
Nós defendemos a estabilidade econômica e dizemos que ela deve ser consistente com a estabilidade social, enfatizou. Lula explicou que, para ele, a estabilidade significa ter um projeto de política industrial e política agrícola, realizar a reforma agrária, acrescentou. Também representa definir claramente se vamos dar incentivos às grandes companhias ou vamos subsidiar especialmente as pequenas e médias empresas.
Esta definição está intimamente relacionada com uma política de emprego, o problema maior vivido hoje pelo Brasil. Junto a isto, é preciso estabelecer um programa para a educação e a saúde. Segundo Lula, o desemprego é um dos maiores problemas do Brasil. Como também é o campo. Por exemplo, durante o governo de Fernando Henrique, muitas pessoas foram expulsas do campo: é isso que precisamos discutir.
É vergonhoso que um país do tamanho do Brasil esteja importando arroz, feijão preto e milho. Queremos uma política de incentivos à agricultura, com financiamento e taxas de juros preferenciais. Quando mencionado que a Argentina exporta trigo para o Brasil, entre outros produtos agrícolas, Lula assegurou ser defensor do Mercosul.
No entanto, o candidato petista esclareceu querer que os produtores argentinos, uruguaios e paraguaios convivam em igualdade de condições com os produtores brasileiros. Os quatro países sócios devem ter condições igualitárias, disse. Não podemos estabelecer esse equilíbrio se, por exemplo, a taxa de juros no Brasil duplicar em relação à da Argentina.
Lula assegurou que não se preocupa com as recentes pesquisas, favoráveis a FHC, e que conta atrair um setor maior do PMDB para vencer. Esse eventual apoio será de extraordinária importância: a frente sai do espectro da esquerda e entra definitivamente numa aliança de centro-esquerda, disse.


