Lula defende cooperativismo em Foz do Iguaçu
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sexta-feira, 25 de agosto de 2006
Tânia Monteiro<br> Agência Estado 
Foz do Iguaçu - Em discurso a portas fechadas para cerca de 30 representantes da Organização das Cooperativas do Paraná, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), defendeu a necessidade de mobilização do setor e enfatizou que assim eles poderão fugir do sistema financeiro tradicional e consequente redução de juros. ''Nós estamos criando as condições para facilitar (criação de cooperativas) até porque eu acho que quanto mais cooperativa de crédito nós tivermos, mais a gente vai fazer com que o sistema financeiro reduza o spread bancário'', disse o presidente, em entrevista, após mais de duas horas de encontro.
''Sou amante das cooperativas e acredito piamente que é uma forma justa de produzir riqueza e fazer com que esta riqueza seja partilhada por todos que trabalham'', afirmou Lula, que passou dois dias em Foz do Iguaçu, mesclando compromissos de presidente e de candidato.
Na noite anterior, na cerimônia de abertura da convenção da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná, ao falar sobre o mesmo tema e salientar que ''sonha em transformar o Brasil no maior país cooperativado do mundo'', Lula reconheceu que para a economia brasileira se manter em desenvolvimento, são necessárias medidas que baixem os juros e ajustem o câmbio: ''Precisamos crescer mais? Precisamos. Os juros precisam cair? Precisam. É preciso ajustar o câmbio. É. Mas não pode ser por medida provisória, projeto de lei, ou decreto. Temos de criar condições para que as coisas se ajustem com a naturalidade e a firmeza e que não retrocedam no primeiro espirro da economia americana.''
O presidente das cooperativas do Paraná, João Paulo Kosloviski, disse a Lula que o setor quer buscar US$ 15 bilhões no exterior, para expandir o crédito para as cooperativas para um valor de R$ 80 bilhões para operações ligadas ao agronegócio, que é a demanda existente hoje. Atualmente, as cooperativas dispõem de R$ 30 bilhões para crédito rural e querem dobrá-lo para R$ 60 bilhões. Segundo Kosloviski, Lula gostou da idéia, mas afirmou que precisar buscar os mecanismos para isso.
Na conversa, o presidente assegurou que o setor avançou ''de forma extraordinária na organização das cooperativas'', mas reconheceu que ''ainda falta muito a fazer''. Depois de explicar que já existe um grupo de trabalho estudando as reivindicações, Lula lembrou que houve tempo em que se tinha ''muita desconfiança'' e ''muito impedimento para funcionamento, particularmente das cooperativas de crédito, porque algumas não deram certo''. Segundo ele, não se pode medir o sucesso das coisas porque um setor fracassou.
O presidente fez questão ainda de destacar as mudanças promovidas em seu governo, em favor do sistema, e criticou a burocracia que impede a expansão das cooperativas.
Lula insistiu que tem feito apelo aos prefeitos para que provoquem os pequenos empresários e comerciantes das suas cidades para que se organizem em cooperativas ''para fugirem do sistema financeiro tradicional''. E avisou: ''Os bancos vão baixar os juros quando eles perceberem que não tem mais um governo vendendo títulos a um preço muito alto e nem quando não tem ninguém aceitando tomar dinheiro emprestado a juros muito altos''.
Antes de reunir com os representantes das cooperativas, o presidente Lula gravou participação em programas eleitorais de integrantes da base correligionários.


