Lula defende candidato próprio no PR
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terça-feira, 31 de julho de 2001
Valmir Denardin<BR>Enviado a Guarapuava 
O surpreendente crescimento do PT nas eleições municipais do ano passado no Paraná exige que o partido lance candidato próprio ao governo do Estado em 2002. A opinião é do presidente de honra e virtual candidato do partido à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Ele participa da Caravana da Agricultura Familiar pelo Sul do País, que encerra hoje sua etapa paranaense.
A afirmação foi feita ontem, durante encontro com lideranças rurais, em Guarapuava. Na platéia, estavam dois dos pré-candidatos do PT ao governo do Estado: o deputado federal Padre Roque Zimmermann e o deputado estadual Ângelo Vanhoni. No ano passado, o PT conquistou dez das 399 prefeituras no Paraná, entre elas as dos três principais municípios do Interior - Londrina, Maringá e Ponta Grossa. Em Curitiba, Vanhoni disputou o segundo turno com o prefeito reeleito Cassio Taniguchi (PFL).
Com o fenômeno que ocorreu, hoje somos uma força real no Paraná, com condições de termos candidatura própria, afirmou Lula. O fortalecimento do PT no Estado também é fundamental para seu projeto político. Por ser um dos maiores colégios eleitorais do País, nosso crescimento no Paraná é crucial para sonharmos em ter um presidente e eleger uma grande bancada de deputados.
Lula não se mostrou satisfeito com as conversas entre o senador Osmar Dias, que deixou o PSDB, com o presidente nacional do PT, José Dirceu. O PT do Paraná existe. Se houver interesse do Osmar em se filiar, ele tem que conversar com os quadros do PT no Paraná. Lula negou que tenha conversado pessoalmente com o senador, como a imprensa chegou a noticiar. O tucano deixou o partido do presidente Fernando Henrique Cardoso. Já o irmão e também senador Alvaro Dias, enfrenta processo de expulsão do partido. Osmar e Alvaro assinaram o requerimento da abertura de uma CPI para investigar denúncias de corrupção no governo federal.
A resposta de Lula deixou Vanhoni aliviado. Segundo ele, o que ocorreu foi uma sondagem mútua entre Osmar Dias e lideranças nacionais do PT. Mas a conversa não teria evoluído para uma proposta de filiação. O possível ingresso do senador acirraria mais ainda a disputa pela indicação no partido.
Vanhoni disse à Folha que o PT deverá fazer coligações para as eleições do ano que vem, desde que indique o cabeça-de-chapa para o governo do Estado.


