Brasília - O ministro Tarso Genro (Justiça) disse ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tem prazo para decidir sobre a extradição do terrorista italiano Cesare Battisti. Tarso disse que Lula vai decidir ''sozinho'' sobre a questão - sem necessariamente seguir o seu despacho favorável à manutenção do refúgio ao italiano, ou a posição do Supremo Tribunal Federal (STF) de extraditá-lo.

''Este é um juízo do presidente, solitário. No momento que ele estiver decidindo, não vai estar desautorizando ninguém, nem o Supremo Tribunal Federa ou seu ministro de Estado. Ele tem que decidir em função dos interesses do país, da sua soberania, do cenário internacional. Seja qual for a sua decisão, ele não estará desautorizando ninguém'', disse.

Apesar de não revelar a posição de Lula, o ministro disse esperar que o presidente decida com base em sua visão ''humanitária'', numa sinalização de que Lula pode encontrar saída jurídica para abrigar Battisti no Brasil. ''A decisão vai vir com uma visão humanista e politizada'', afirmou.

Tarso disse que o presidente vai ouvir oficialmente a Advocacia Geral da União (AGU) para decidir sobre Battisti. Se for chamado por Lula para consulta, o ministro prometeu reiterar sua posição favorável à concessão do refúgio - mesmo depois da maioria do STF ter concluído pela extradição.

Tarso negou que tenha conversado com o presidente Lula depois da decisão final do STF. ''Ele vai verificar a conveniência de ouvir pessoas. O presidente sabe a minha opinião, nunca me fez qualquer observação positiva ou negativa a respeito do assunto.''

O ministro disse que o Brasil tem ''orgulho'' de ser um destino de refugiados políticos que foram perseguidos em seus países de origem - por isso defende que Battisti fique no país. ''O Brasil é uma terra que dá abrigo para refugiados. Temos mais de 150 cubanos e ninguém se preocupa com a sua extradição'', ironizou.

Segundo Tarso, Lula tem o ''prazo que achar conveniente'' para decidir sobre o impasse em torno do futuro de Battisti. Mas ressaltou que, em caso de extradição, o terrorista só poderá ser devolvido à Itália depois da conclusão dos processos a que responde no Brasil.

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